GAZA — O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, manifestou nesta terça-feira (15) preocupação com possíveis crimes de guerra cometidos por Israel durante a ofensiva militar contra a Faixa de Gaza.
Türk afirmou que muitos dos corpos retirados de áreas destruídas pelos ataques israelenses pareciam pertencer a famílias inteiras. Entre as vítimas, segundo ele, havia muitas mulheres e crianças. Em comunicado, o alto comissário escreveu: “É de partir o coração que os entes queridos daqueles que estão desaparecidos há tanto tempo só agora estejam vendo seus piores temores se confirmarem”.
A ONU estima que a ofensiva tenha produzido cerca de 61 milhões de toneladas de escombros e detritos na Faixa de Gaza. A remoção desse material pode levar até sete anos.
Corpos sob os escombros
A Defesa Civil Palestina informou que, desde o início novembro de 2025, 630 corpos foram recuperados sob prédios destruídos. Autoridades de Gaza estimam que mais de 8.000 vítimas ainda estejam soterradas e que o total de mortes tenha ultrapassado 73 mil.
O alto comissário afirmou temer que os restos mortais localizados até agora sejam “apenas a ponta do iceberg”. Também acusou as forças israelenses de continuarem destruindo áreas residenciais palestinas mesmo depois de ocuparem esses territórios com seus soldados. De acordo com Türk, escavadeiras operam “sem qualquer respeito pelos mortos sob os escombros”.
Posição de Israel
O governo israelense rejeita repetidamente as alegações de que seus ataques tenham civis como alvo deliberado. Israel afirma que mira integrantes do Hamas e atua de acordo com o direito internacional.
A ofensiva das Forças de Defesa de Israel contra Gaza começou em outubro de 2023, depois de atentados do Hamas em áreas fronteiriças entre os territórios palestino e israelense. Tel Aviv afirma que os ataques mataram 1.200 pessoas e que outras 251 foram levadas como reféns.


