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Do pertencimento à reivindicação: dois comícios e duas formas de ocupar Porto Alegre

A comparação entre atos de Flávio Bolsonaro e Lula mostra como símbolos políticos podem expressar identidade, experiência e demandas distintas.

Do pertencimento à reivindicação: dois comícios e duas formas de ocupar Porto Alegre

Nove dias separaram os comícios de Flávio Bolsonaro, no Parcão, e de Lula, no largo Glênio Peres. A presença nos dois atos revelou não apenas campanhas adversárias, mas formas diferentes de transformar identidade política em ocupação da cidade.

No Parcão, Jair Bolsonaro permanecia como a principal referência, embora não estivesse no palco. Camisetas, bandeiras, máscaras com seu rosto e palavras de ordem organizavam uma imagem coletiva em torno do pertencimento. Flávio era o candidato presente, mas os rostos, os discursos e os símbolos apontavam continuamente para o ex-presidente.

Alexandre de Moraes era chamado de “Xandão”, Lula aparecia como inimigo e Manuela d’Ávila era apresentada como alvo. Quando Flávio afirmou que, com sua eleição, o PT deixaria de existir, recebeu uma das maiores reações da noite. A frase expressava uma lógica de arquibancada: mais do que derrotar o adversário, seria preciso retirá-lo do campeonato.

No largo Glênio Peres, também havia camisetas, bandeiras, celulares erguidos, bonés, ventarolas, material de campanha e o nome de Lula em letras grandes. A diferença estava no fato de que os sinais de apoio não esgotavam o sentido da presença. Movimentos sociais, estandartes artesanais, candidaturas diversas e reivindicações ocupavam o mesmo espaço.

Um pequeno cartaz escrito à mão condensava essa dimensão. A mensagem contava a trajetória de uma mulher que havia chegado da EJA à graduação no IFSul aos 34 anos, atribuindo essa conquista à educação pública e agradecendo a Lula. A política pública aparecia, assim, como experiência de vida, e não apenas como palavra de ordem.

Diante do Mercado Público, entre o comércio, os terminais e a circulação diária do Centro, o ato fazia parte da paisagem da cidade. Algumas pessoas estavam ali para ouvir Lula; outras podiam apenas atravessar o local. Havia a possibilidade de parar, observar, concordar, discordar ou seguir adiante.

A comparação entre os dois comícios não elimina as semelhanças. Nos dois havia paixão, lealdade, esperança, antagonismo e símbolos capazes de reunir milhares de pessoas. A diferença estava naquilo que esses símbolos pareciam pedir de quem os carregava.

No Parcão, a pergunta predominante era de que lado cada pessoa estava. No Glênio Peres, a identidade partidária dividia espaço com outra pergunta: o que cada pessoa queria ao estar ali? No primeiro ato, as imagens diziam principalmente quem eram os apoiadores. No segundo, muitas também indicavam por que estavam presentes.

Vistos em conjunto, os eventos formavam um contraste entre a política como máquina de produzir identidade e a política como espaço em que identidades, histórias individuais e reivindicações podem coexistir. Pertencer aparece como parte da política, mas não como seu ponto final.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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