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Ciência

Livro sobre Stephen Hawking expõe disputas científicas e tensões familiares

Obra autorizada combina a trajetória científica do físico com relatos sobre controle, competitividade e reconhecimento de pesquisas alheias.

Livro sobre Stephen Hawking expõe disputas científicas e tensões familiares

A reputação científica de Stephen Hawking é reavaliada em uma biografia autorizada que reúne documentos inéditos e depoimentos de familiares, colegas e alunos. O livro, escrito por Graham Farmelo, apresenta tanto a produção do físico sobre os buracos negros quanto episódios de disputa, controle e dificuldade em reconhecer contribuições de outros pesquisadores.

Hawking: his life and work (2026) também descreve aspectos de sua vida privada que, durante anos, ficaram em segundo plano diante da fama internacional e da deficiência. O relato inclui avaliações de pessoas próximas, entre elas a irmã Mary, que o chamou de “uma das pessoas mais egocêntricas que já conheci”.

As contribuições para a física

A trajetória científica de Hawking ganhou projeção a partir dos estudos sobre a origem e o funcionamento do Universo. No início dos anos 1960, em Cambridge, ele se aproximou das pesquisas de Roger Penrose sobre o colapso gravitacional de estrelas e os buracos negros.

A partir dessas ideias, Hawking relacionou os processos do colapso estelar a uma interpretação inversa ligada à origem do universo. Em 1970, publicou com Penrose um artigo sobre as condições associadas à singularidade, conceito aplicado a uma situação extrema em que as teorias convencionais deixam de descrever adequadamente as grandezas físicas.

Quatro anos depois, formulou a hipótese de que os buracos negros poderiam emitir radiação. Seus cálculos combinavam efeitos da mecânica quântica com o estudo desses objetos e levaram ao conceito conhecido como radiação Hawking. A proposta indicava que, em determinadas condições, um buraco negro poderia perder energia ao longo do tempo e desaparecer.

O trabalho reuniu gravidade, mecânica quântica, termodinâmica e teoria da informação. Foi essa combinação que ajudou a consolidar a posição de Hawking como uma das figuras mais conhecidas da ciência contemporânea.

Autoria e relações acadêmicas

A biografia também examina como Hawking lidava com as contribuições de outros cientistas. Um dos episódios envolve Jacob Bekenstein, que propôs uma relação entre a área de um buraco negro e sua entropia. Hawking rejeitou inicialmente a ideia, mas depois chegou a uma conclusão compatível com parte da proposta. O relato afirma que a apresentação do resultado acabou vinculada principalmente ao nome de Hawking, sem reconhecimento integral da contribuição de Bekenstein.

Roger Penrose aparece em situação semelhante nos primeiros trabalhos do físico. Farmelo também descreve conflitos com estudantes. Embora pudesse tratar seus orientandos com atenção e gentileza, Hawking teria tentado afastar de Cambridge um aluno cujo trabalho contrariava uma de suas conjecturas sobre buracos negros.

Alguns colegas avaliavam que suas palestras passaram a se concentrar cada vez mais em sua própria trajetória. “Totalmente sobre ele”, disseram, conforme o relato reunido pelo biógrafo. Outros pesquisadores evitavam criticá-lo publicamente por receio de parecerem cruéis com uma pessoa com deficiência.

Família, doença e imagem pública

Hawking morreu em março de 2018, aos 76 anos. Diagnosticado ainda jovem com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), recebeu inicialmente a previsão de que viveria menos de dez anos. A doença comprometia progressivamente seus músculos e movimentos, mas ele manteve a carreira científica.

Os relatos familiares reunidos por Farmelo descrevem um comportamento marcado por egocentrismo, competitividade e controle. Frank, seu pai, teria demonstrado preocupação com atitudes do filho ainda na adolescência. O filho mais novo afirmou que Hawking era “extremamente competitivo” e não aceitava perder nem em jogos de tabuleiro.

A mãe, Isobel, reclamava que o físico ignorava pessoas quando isso lhe convinha. Edward, seu irmão adotivo, relatou nunca ter se sentido realmente próximo dele. O livro também aborda o casamento com Jane Hawking, que precisou conciliar a vida familiar com as limitações de mobilidade e comunicação provocadas pela doença.

Segundo o relato, Hawking ridicularizava repetidamente as crenças religiosas de Jane e dedicava pouca atenção aos interesses dela. Suas exigências contribuíam para o isolamento da esposa, em uma relação apresentada de forma mais complexa do que nas narrativas centradas apenas na imagem pública do cientista.

A obra de Farmelo não é a primeira a questionar essa imagem. Charles Seife já havia examinado a construção da fama do físico em Hawking Hawking (2021). A diferença apontada na nova biografia está na tentativa de integrar os defeitos pessoais, os conflitos acadêmicos e as descobertas científicas em uma mesma trajetória.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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