Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro aparecem empatados em uma simulação de segundo turno para a Presidência da República, com 46% das intenções de voto cada um, segundo pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira (9). No primeiro turno, Lula tem 38,4%, e Flávio, 37,3%. A diferença de 1,1 ponto percentual está dentro da margem de erro, de dois pontos para mais ou para menos.
Na rodada anterior, Lula registrava 48,5% contra 43% de Flávio no segundo turno. No cenário estimulado de primeiro turno, o presidente tinha 43%, enquanto o senador marcava 35%.
Cenário de primeiro turno
Entre os demais nomes testados, Augusto Cury (Avante) aparece com 6,6% das intenções de voto. Renan Santos (Missão) e Ronaldo Caiado (PSD) têm 4% cada. Romeu Zema (Novo) e Pablo Marçal (PRTB) registram 1,5% cada, enquanto os demais candidatos não alcançam 1%.
A pesquisa foi realizada entre 4 e 7 de setembro, período em que estavam no debate decisões do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, relacionadas às investigações sobre o Banco Master e o embate com o ministro Alexandre de Moraes.
Mendonça retirou o sigilo de documentos que expuseram mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e dirigidas a Moraes. Também veio a público que Mendonça havia recebido Vorcaro fora do Supremo em março de 2025, durante a tramitação de uma ação de interesse do Banco Master.
A crise institucional se agravou na terça-feira (8), quando Mendonça afastou Andrei Rodrigues e Leandro Almada da direção da Polícia Federal. A justificativa foi evitar constrangimentos ilegais contra integrantes do Supremo e outros agentes públicos. Onze diretores da corporação manifestaram “total apoio” aos dois dirigentes e colocaram os próprios cargos à disposição.
Nesta quarta-feira, o ministro Flávio Dino reverteu a decisão, reintegrou Rodrigues e Almada e determinou que o caso seja submetido ao plenário do Supremo. Ao fundamentar a medida, Dino questionou a possibilidade de Mendonça decidir sobre atos da Polícia Federal relacionados a investigações que envolvem o próprio ministro. “Mas tais direitos não podem converter-se em fundamento para a prolação de decisão em causa própria”, escreveu.
Dino também mencionou o encontro entre Mendonça e Vorcaro e afirmou que a determinação de interromper a produção de relatórios de inteligência da Polícia Federal prejudicou procedimentos urgentes sob sua relatoria.
Avaliações sobre impacto eleitoral
Cientistas políticos ouvidos sobre a atuação de Mendonça avaliaram que as decisões podem produzir efeitos sobre o processo eleitoral. Francisco Fonseca criticou o que classificou como “uma enorme seletividade” nas ações do ministro e afirmou que a condução dos casos não apresenta isonomia.
Paulo Roberto de Souza disse que Mendonça faz uma “aposta muito alta” para interferir nas eleições e transforma a campanha em uma questão judicializada. Cláudio Gonçalves Couto avaliou que as ações recentes indicam a entrada do ministro na campanha de Flávio Bolsonaro.
Couto afirmou ainda que o bolsonarismo trata Moraes como seu principal adversário e que medidas que atinjam o ministro podem beneficiar esse campo político. Na avaliação dele, Lula é alcançado pela polarização por ser o principal contraponto ao bolsonarismo, embora o governo não tenha relação direta com Moraes.
Percepção sobre o Supremo
O levantamento também mediu a confiança dos eleitores no Judiciário. Para 51,6% dos entrevistados, os ministros do Supremo decidem mais por interesse próprio do que pela lei. Apenas 10,9% discordaram da afirmação, enquanto 23,9% não concordaram nem discordaram.
A percepção aparece tanto entre eleitores que votaram em Jair Bolsonaro em 2022 quanto entre os que escolheram Lula: 53,3% e 50,8%, respectivamente, concordam com a afirmação.
Apenas 7,3% dos entrevistados disseram ter muita confiança no Supremo. Outros 21,3% afirmaram não confiar na Corte, e 28,4% declararam ter pouca confiança.
Entre os que tinham ouvido falar do caso envolvendo Moraes e Vorcaro, 30% disseram considerar o episódio um problema do Supremo como instituição. Para 40,5%, a responsabilidade é tanto do ministro quanto da Corte. Apenas 18,2% atribuíram a crise exclusivamente a Moraes.
A pesquisa ouviu 1,5 mil pessoas entre 4 e 7 de setembro. O levantamento tem margem de erro de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e nível de confiança de 95%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral foi feito sob o protocolo BR-07935/2026.



