Um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) encaminhado ao governo federal, ao Ministério da Justiça e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) identifica riscos de participação dos Estados Unidos no processo eleitoral brasileiro, cujo primeiro turno será realizado em 4 de outubro. O documento associa o aumento das pressões do governo de Donald Trump sobre o Brasil a uma estratégia mais abrangente de mudança de orientação política na América Latina.
A analista internacional Ana Prestes avalia que as oscilações do presidente norte-americano dificultam a estratégia diplomática mantida pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas relações com os Estados Unidos. Para ela, Trump recuou de acordos firmados com Lula e trata a relação bilateral de maneira instável.
“Já estamos em processo de resistência e combate a um golpe”, afirmou Prestes. Na avaliação dela, existe uma movimentação golpista, embora ainda não esteja claro como ela se manifestará a partir do primeiro turno.
Discurso na ONU
Lula participa nesta terça-feira (22) da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, nos Estados Unidos. Prestes considera que o presidente deve defender o multilateralismo e relacionar as eleições brasileiras à estabilidade democrática e à soberania do país, sem necessariamente fazer uma referência direta à Casa Branca.
A analista também prevê que Lula destaque o legado de seu último mandato. Para ela, o retorno do multilateralismo ao centro das discussões entre os países é urgente, especialmente diante de ações unilaterais atribuídas aos Estados Unidos durante o segundo governo Trump.
Prestes afirma que nenhum país latino-americano estaria preparado para o nível de ataque promovido pelos Estados Unidos. Ela menciona o episódio de 3 de janeiro, quando o governo Trump teria atacado a Venezuela e sequestrado o presidente Nicolás Maduro.
A analista também avalia que a incerteza sobre os próximos movimentos amplia a imprevisibilidade. Segundo ela, o Supremo Tribunal Federal (STF) já foi atingido por um movimento que fragiliza a Corte e pode alcançar o TSE. Prestes relaciona esse processo a uma guerra híbrida articulada por grupos externos a partir da Casa Branca, com participação de Marco Rubio e de integrantes da família Bolsonaro.


