O presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu a soberania nacional, a democracia e a paz durante o discurso de abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Na avaliação do analista internacional Gustavo Menon, a fala também representou uma crítica às nações que promovem guerras e adotam medidas unilaterais.
Embora não tenha citado Donald Trump nominalmente, Lula dirigiu parte de suas críticas ao presidente dos Estados Unidos, que discursou depois. O brasileiro questionou ainda a atuação do Conselho de Segurança das Nações Unidas diante de conflitos internacionais, entre eles o genocídio em Gaza, e defendeu a revisão do funcionamento do órgão, inclusive por meio de uma reforma.
Menon, professor da Universidade Católica de Brasília (UCB) e da Universidade de São Paulo (USP), destacou a defesa feita por Lula do processo eleitoral brasileiro. O presidente afirmou que a democracia do país pertence aos brasileiros. Para o analista, o pronunciamento foi “histórico e contundente em defesa da democracia, da soberania, da paz e de revisitar os princípios do multilateralismo”.
Guerras, desenvolvimento e cooperação
Na leitura de Menon, Lula relacionou a incapacidade do sistema ONU de cumprir o objetivo de evitar guerras ao cenário atual de conflitos. O analista afirmou que o presidente condenou iniciativas unilaterais e protecionistas e cobrou a recuperação do compromisso das Nações Unidas com a preservação da paz.
Menon também associou a corrida armamentista à redução do espaço para projetos de desenvolvimento e ações de cooperação voltadas à agenda do desenvolvimento sustentável. Ele descreveu o momento internacional como uma combinação de crises.
Entre os pontos positivos mencionados pelo presidente, o analista citou a saída do Brasil do Mapa da Fome, o avanço das agendas verdes e a necessidade de reativar mecanismos de cooperação e integração regional. A avaliação incluiu críticas à paralisia da Organização Mundial do Comércio, apresentada por Lula como uma instituição que está “respirando por aparelhos”.
Lula também abordou as pressões sobre a América Latina. Segundo Menon, o presidente criticou tentativas de estabelecer uma zona de influência na região, defendeu a condenação do bloqueio econômico contra Cuba e pediu maior participação das economias do sul global nas decisões internacionais.


