NOVA YORK — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta terça-feira (22), durante a abertura da 81ª Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que o Brasil não aceitará interferências externas nas eleições de outubro. Em discurso antes da fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, Lula abordou guerras, democracia, soberania nacional, mudanças climáticas, crime organizado e desigualdade.
O presidente criticou a atuação do Conselho de Segurança da ONU e disse que a organização atravessa o momento mais crítico desde que ele ocupou pela primeira vez a tribuna, em 2003. Para Lula, a entidade perdeu capacidade de proteger populações vulneráveis e falhou em sua missão de evitar guerras. “A guerra não é a continuação da política por outros meios. É a falência total da política”, afirmou.
Guerras e soberania
Lula citou o aumento dos conflitos armados, a corrida armamentista e as tensões geopolíticas. Pediu uma reunião dos líderes dos países que integram o Conselho de Segurança e defendeu a diplomacia como saída para a guerra entre Rússia e Ucrânia, que, segundo ele, se prolonga há cinco anos.
Ao falar sobre o Oriente Médio, mencionou o conflito em Gaza, os ataques do Hamas, os assentamentos na Cisjordânia e a atuação do Tribunal Penal Internacional. Também afirmou que a solução de dois Estados é necessária para que israelenses e palestinos vivam em segurança.
Na América Latina e no Caribe, o presidente criticou o que chamou de recrudescimento de tentações hegemônicas e afirmou: “O Brasil não cabe no quintal de ninguém”. Defendeu a integração regional e disse que diferenças ideológicas não devem impedir a cooperação entre países vizinhos.
O discurso também tratou da Venezuela, da Nicarágua, do Haiti e de Cuba. Lula afirmou que o povo venezuelano deve definir o próprio destino, criticou a restrição à participação da oposição nicaraguense e classificou como ilegais o embargo econômico e o cerco energético impostos a Cuba.
Crime, clima e recursos naturais
Lula disse que o Brasil está preparado para enfrentar organizações criminosas e rejeitou a presença de porta-aviões estrangeiros nas águas brasileiras. Segundo ele, o país precisa de cooperação para interromper o fluxo de armas e dinheiro que abastece o crime. O presidente citou a criação, em Manaus, do Centro de Cooperação Policial Internacional da Amazônia, com autoridades dos nove países amazônicos.
Também afirmou que, em 2025, o Brasil realizou a maior operação contra o crime organizado da história do país e registrou recordes na apreensão de drogas, bens e recursos ilícitos. A Lei Antifacção, segundo Lula, estabelece penas superiores às previstas para o terrorismo.
Na área ambiental, defendeu a redução das emissões, a proteção da Amazônia e o uso dos minerais críticos e das terras raras brasileiras na transição energética. Disse que o acesso a esses recursos deve incluir geração de valor no território nacional, transferência de tecnologia e abastecimento de setores estratégicos.
Economia, tecnologia e eleições
O presidente criticou o uso de tarifas como instrumento de coerção, defendeu a regulamentação das Big Techs e da Inteligência Artificial e afirmou que o Brasil não aceitará a privatização do PIX. Também mencionou a proteção de crianças, adolescentes e mulheres no ambiente digital.
Ao tratar de desigualdade, Lula defendeu educação e saúde gratuitas, distribuição de renda, geração de empregos e uma rede de proteção social. Afirmou que o Brasil voltou a crescer de modo sustentado e que é o terceiro maior destino de investimento estrangeiro direto.
No encerramento, Lula disse que milhões de brasileiros irão às urnas no dia quatro de outubro para escolher presidente, governadores e representantes do Poder Legislativo. Afirmou que o pleito será transparente e competitivo, com liberdade de expressão para os candidatos, e declarou que o sistema eleitoral é moderno e robusto.
O presidente disse ainda que a cidadania, a imprensa e as instituições não permitirão ataques à vontade popular. Para Lula, a democracia brasileira pertence aos brasileiros e o país continuará soberano.


