NOVA YORK — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou nesta terça-feira (22), na Assembleia Geral da ONU, interferências externas na América Latina e defendeu a soberania brasileira. O discurso ocorreu antes da fala de Donald Trump e foi apresentado como um contraponto às posições do presidente dos Estados Unidos.
Lula afirmou que o Brasil acompanha o recrudescimento de tendências hegemônicas no continente americano. Ao abordar a disputa por recursos estratégicos, mencionou minerais críticos e terras raras, além de interferências de outros países em processos eleitorais. Também condenou iniciativas neocoloniais relacionadas à busca por esses recursos.
“A proximidade geográfica com a maior potência militar do mundo é inescapável”, declarou o presidente. Na sequência, afirmou que o Brasil não se submete à lógica de áreas de influência e criticou a interferência externa em eleições.
Críticas à ONU e ao Conselho de Segurança
O presidente disse que este foi seu décimo discurso à frente da Assembleia Geral e avaliou que os impasses diplomáticos e as guerras tornaram a conjuntura atual a mais desafiadora para a organização desde que assumiu a Presidência pela primeira vez, em 2003.
Lula também criticou o que chamou de imobilismo do Conselho de Segurança e os desmandos das superpotências. Para ele, a previsão de direito de veto para os cinco membros permanentes — Estados Unidos, Reino Unido, França, China e Rússia — criou um vício de origem na Carta da ONU e permitiu o privilégio da insensatez.
“O sentimento que me move hoje é o da indignação. A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas: a de livrar a humanidade do flagelo da guerra”, afirmou. Segundo Lula, a escolha colocada no cenário internacional é entre multilateralismo e unilateralismo, democracia e extremismo, soberania e subordinação.
Cooperação contra o crime organizado
Lula voltou a mencionar um plano de atuação conjunta contra o crime organizado que, segundo ele, foi entregue pessoalmente a Trump. A proposta prevê o controle do fluxo de armamentos e dinheiro entre os países.
A relação entre o governo brasileiro e a Casa Branca foi afetada pela classificação do Comando Vermelho e do PCC como organizações terroristas pelo governo americano. A medida abriu margem para uma ação militar mais incisiva no país.
O Brasil também passou a monitorar a chegada de aeronaves americanas destinadas ao combate a organizações criminosas em países como Equador e Colômbia, integrantes da iniciativa “Escudo das Américas”, liderada pelos Estados Unidos. Lula disse que o país precisa de cooperação para interromper o fluxo que abastece o crime organizado, e não de porta-aviões vigiando suas águas.


