CANBERRA — O governo da Austrália anunciou nesta quinta-feira (17) medidas para reduzir a migração, com regras mais rígidas para vistos de estudantes e participantes de programas de férias e trabalho. Também serão adotadas ações contra pessoas que permaneçam no país depois do fim da autorização de permanência.
O ministro do Interior, Tony Burke, afirmou que a imigração continua sendo uma força para a Austrália, mas disse que a pressão sobre a habitação exige mudanças. “Precisamos que a imigração diminua o suficiente para que a habitação consiga se recuperar”, declarou. Ele ressaltou, porém, que a escassez de moradias não é provocada pelos imigrantes.
Meta para o próximo ano
A imigração estrangeira líquida atingiu 538.000 em 2022, impulsionada pelo aumento das chegadas após a reabertura das fronteiras durante a pandemia de covid-19. Nos 12 meses encerrados em março, o indicador caiu para 292.100, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (17).
Burke disse que o resultado representa uma redução de 47% em relação ao pico registrado no período pós-pandemia. As novas medidas, segundo o ministro, contribuirão para que o governo alcance uma meta de 225.000 no próximo ano.
Entre as mudanças previstas, parentes que tentarem se juntar a estudantes na Austrália enfrentarão restrições adicionais. Também ficará mais difícil trocar de curso com o objetivo de estender a permanência no país.
Os estudantes formam o maior grupo de chegadas, com 753.000 pessoas na Austrália, a maioria procedente da China e da Índia. O governo trabalhista negou que as alterações tenham sido adotadas em resposta ao crescimento do One Nation, partido de extrema direita que ganhou popularidade ao defender uma redução drástica da imigração.
O ministro afirmou que os australianos querem ver o governo assumir o controle da imigração, mas também esperam uma abordagem decente. Entidades empresariais alertaram que uma redução da migração poderia causar danos econômicos ao país.



