O Filmambiente começa nesta quarta-feira (23) com uma programação gratuita de 60 filmes brasileiros e internacionais, exibidos até 2 de outubro no Rio de Janeiro, em Niterói e pela internet. Em sua 15ª edição, o festival reúne produções sobre sustentabilidade, justiça climática e social, organizadas em oito mostras, quatro delas competitivas.
A abertura será às 20h30, no Estação Claro Rio, em Botafogo, com Sob as bandeiras, o sol, documentário de Juanjo Pereira que recebeu o Prêmio FIPRESCI da crítica internacional na mostra Panorama da Berlinale. Antes da sessão, o evento homenageará a bióloga Liliane Lodi, que atua há mais de 30 anos na proteção da biodiversidade marinha e coordena os projetos Baleias & Golfinhos do Rio de Janeiro e Ilhas do Rio.
A seleção foi feita depois que a curadoria assistiu a mais de 400 filmes de ficção, animação e documentários. Suzana Amado, criadora do Filmambiente em 2011 e atual curadora, afirma que os critérios combinaram narrativa, estética e técnica, com o objetivo de provocar empatia e emoção além de oferecer informação.
Dez destaques da programação
Entre os filmes escolhidos estão obras sobre ditaduras, imigração, colonialismo químico, segurança digital, transição energética e conflitos pelo acesso à água. Sob as bandeiras, o sol revisita a ditadura de Alfredo Stroessner no Paraguai e suas conexões com outros regimes latino-americanos. A sessão será em 23 de setembro, às 21h, no Estação Claro Rio.
Agrotóxicos sem fronteira: um dilema global acompanha a geógrafa Larissa Bombardi em uma investigação sobre a produção e a exportação, para o Sul Global, de agrotóxicos proibidos na Europa. O longa, dirigido por João Amorim, será exibido em 29 de setembro, às 21h, com debate com o diretor, Regina Tchelly e Sergio Ribeiro.
Quanta reza será preciso para um simples banho de mar, de Liliane Mutti, aborda os impactos da poluição dos estaleiros sobre moradores da Ilha da Conceição, em Niterói, e os efeitos da construção da ponte Rio-Niterói durante a ditadura civil-militar brasileira. Haverá sessões em 26 de setembro e 1º de outubro.
Poder no Deserto, de Emiliano Rodriguez Nuesch, acompanha comunidades afetadas pela transição energética na Califórnia e no Triângulo do Lítio, na Argentina e no Chile. Lugar à Mesa, de Josh Fox, trata de deslocamentos provocados pela insegurança climática em diferentes regiões, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro.
Molly vs A Máquina, de Marc Silver, reconstitui a história de Molly Russell, que morreu aos 14 anos após meses exposta a conteúdos sobre automutilação e suicídio nas redes sociais, e a atuação de seu pai, Ian Russell, em defesa da segurança digital de crianças e adolescentes. A Guerra do Pistache, de Yasha Levine e Rowan Wernham, examina a disputa pela água na Califórnia ligada à produção de pistache.
Notas sobre um Desterro, de Gustavo Castro, retoma imagens de uma família brasileira-palestina na Cisjordânia e reflete sobre colonização, apartheid, genocídio e imagens de guerra. O Chamado do Mar acompanha Alice Pataxó, líder e comunicadora indígena que se reconecta com o oceano no litoral atlântico brasileiro. Katô: sonhos da Terra Escura, de Zaya Ralita Benazzo e Maurizio Benazzo, encerra o festival com a luta dos Munduruku, da aldeia amazônica de Sawré Muybu, pela preservação das águas do Rio Tapajós e da memória de seus antepassados.
Locais e acesso
As sessões presenciais ocuparão o Estação Claro Rio e terão atividades especiais na Biblioteca Parque Centro, no INES (Instituto Nacional de Educação de Surdos) e na Cinemateca do MAM, no Rio de Janeiro. Em Niterói, haverá exibições no Cine Arte UFF. Curtas-metragens estarão disponíveis online no site Porta Curtas, com acesso para todo o Brasil.
As sessões diárias ocorrerão entre 17h e 21h. Os ingressos são gratuitos e devem ser retirados nos locais de exibição.


