Os rebeldes houthis ampliaram nesta segunda-feira (21) o controle sobre áreas do Iêmen e tentam separar os territórios sob seu domínio das regiões mantidas pelas forças do governo reconhecido internacionalmente. A ofensiva ocorre depois que os Estados Unidos cancelaram ataques planejados contra o grupo no fim de semana.
Cinco fontes militares iemenitas afirmam que os combatentes apoiados pelo Irã buscam conquistar as Montanhas Kahboub, área estratégica que se estende pelas províncias de Taiz e Lahijm. A região faz a ligação entre a costa do Mar Vermelho, controlada pelos houthis, e o sul do país, sob domínio governamental.
Os combates se concentram no distrito montanhoso de Al-Wazi’iyah, na província de Taiz, e na região de Ras al-Ara, na costa do oceano Índico. Os houthis dizem que a Arábia Saudita realizou centenas de ataques nos últimos dias, mas a ofensiva saudita não conseguiu impedir o avanço rebelde.
Deslocamento e risco para a navegação
As Nações Unidas informam que quase 700 pessoas morreram e milhares ficaram feridas nos confrontos. Mais de 120 mil iemenitas deixaram suas casas e se deslocaram para outras áreas do país; outros milhares atravessaram o Mar Vermelho de barco em direção à África.
O avanço dos houthis também ameaça o Estreito de Bab al-Mandab, passagem entre a Península Arábica e o chifre da África que conecta o oceano Índico ao Mar Vermelho. A rota é considerada uma alternativa importante para a exportação de petróleo durante o fechamento do Estreito de Ormu, relacionado ao conflito entre Irã e Estados Unidos.
A Arábia Saudita pediu que os Estados Unidos participem do combate, mas Washington rejeitou até agora os apelos do príncipe herdeiro Mohammed bin Salman. No domingo, Donald Trump cancelou uma ofensiva aérea quando as aeronaves estavam sendo carregadas com bombas. No sábado, os houthis disseram ter lançado mísseis e drones contra locais considerados sensíveis em Riad, sem especificar os alvos. O governo saudita não se pronunciou.


