O presidente da França, Emmanuel Macron, defendeu nesta terça-feira (22), durante discurso na Assembleia Geral da ONU, uma “moratória dupla” para interromper ataques a instalações de energia e à infraestrutura civil na Rússia e na Ucrânia. A proposta busca reduzir os impactos da guerra sobre a população e criar espaço para novas negociações, especialmente com a aproximação do inverno.
Macron afirmou que a França continuará apoiando as aspirações do povo ucraniano por paz, segurança e um futuro. Também declarou que não poupará esforços para que conversas entre Rússia e Ucrânia comecem o mais rápido possível. “Há quase cinco anos, a Rússia trava uma guerra contra civis”, disse o presidente francês.
A iniciativa incluiria ainda uma moratória no Mar Negro, com o objetivo de permitir a circulação de grãos e ampliar a segurança alimentar em países emergentes e em desenvolvimento. Na segunda-feira (21), Macron se reuniu em Nova York com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, e prometeu apoio francês nas áreas de defesa aérea e energia. Ele afirmou que a França ajudará a Ucrânia durante o inverno e que o G7 de Energia mobilizará apoio.
Israelenses e palestinos
No discurso, Macron voltou a defender a solução de dois Estados para o conflito entre israelenses e palestinos. Ele afirmou que não seria aceitável observar a situação na Faixa de Gaza e na Cisjordânia sem agir e defendeu o direito do povo palestino de existir, relacionando esse princípio à segurança e à própria existência dos palestinos.
Inteligência artificial
Macron também propôs que países interessados em preservar sua independência estratégica desenvolvam uma alternativa aos modelos de inteligência artificial dos Estados Unidos e da China. A ideia é reunir capacidade computacional e recursos de diferentes países para criar um modelo de código aberto.
Segundo o presidente francês, a iniciativa evitaria que essas nações se tornassem dependentes das duas principais potências tecnológicas. “Não quero que ninguém se torne vassalo de uma das grandes potências”, afirmou.


