A reunião entre Serguei Lavrov e o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, ocorreu pouco depois do discurso do chanceler russo na Assembleia Geral da ONU. O encontro durou 20 minutos, foi iniciativa de Berlim e representou o primeiro contato em nível ministerial entre os dois países desde a invasão do território ucraniano. De acordo com o Kremlin, os dois ministros conversaram após Lavrov acusar países europeus de dificultarem as negociações sobre a guerra.
A imprensa alemã informou que Wadephul teria pedido à Rússia que abandonasse o caminho de escalada contra a Alemanha, a Europa e a Otan. Também teria sido discutido o caso de um drone com explosivos encontrado no aeroporto de Leipzig, em agosto. O governo alemão atribui o episódio aos serviços de inteligência russos.
Críticas aos Estados Unidos
Durante o discurso, Lavrov condenou as ações militares dos Estados Unidos na Venezuela e no Irã. Ele afirmou que Nicolás Maduro e Cilia Flores foram sequestrados e permanecem detidos em uma prisão americana, sem julgamento. O chanceler russo pediu a libertação imediata de Maduro, cujo julgamento está previsto para começar em junho de 2027. O ex-presidente venezuelano tem advogado e é acusado pelos Estados Unidos de facilitar o tráfico de drogas, entre outros crimes.
Lavrov também criticou o uso da força contra Ali Khamenei e integrantes de sua família. Segundo ele, a agressão israelo-americana atingiu estruturas civis do Irã, incluindo instalações nucleares. O ministro disse ainda que a Rússia está disposta a cooperar para estabilizar o estreito de Hormuz, bloqueado por Teerã desde o início da guerra lançada por Donald Trump e Binyamin Netanyahu.
Guerra na Ucrânia
Ao tratar do conflito ucraniano, Lavrov responsabilizou os aliados de Kiev pelo que chamou de ações irresponsáveis, em referência ao fornecimento de armas usadas contra a Rússia. Ele afirmou que os Estados Unidos destruíram a segurança europeia e que a Europa tenta impedir conversas de paz nas quais o governo Trump teria interesse.
Lavrov também disse que Moscou iniciou a operação militar especial para proteger pessoas nas regiões anexadas e declarou que a Rússia seguirá lutando até concluir seus objetivos. A União Europeia mantém sanções contra Moscou, enquanto o chanceler russo citou o Brics e a Organização de Cooperação de Xangai como exemplos de apoio internacional ao país.


