SÃO PAULO — A China defendeu o multilateralismo, criticou o protecionismo e cobrou que países desenvolvidos financiem o crescimento de nações pobres ou emergentes durante o discurso na 81ª Assembleia Geral da ONU. As críticas foram dirigidas a políticas associadas aos Estados Unidos, mas o país não foi citado nominalmente por Han Zheng, vice-líder chinês que leu o pronunciamento em Nova York neste sábado (26).
Ao tratar da economia internacional, Han afirmou que barreiras comerciais e interrupções nas cadeias de suprimentos prejudicam diferentes países. Também defendeu o desenvolvimento da inteligência artificial para fins positivos e a redução da divisão digital. “O protecionismo não produz vencedores”, disse o representante chinês.
A agenda apresentada por Pequim foi organizada em quatro frentes. Além da defesa do multilateralismo e da cooperação econômica, o discurso mencionou a necessidade de ampliar intercâmbios culturais por meio do diálogo e de respeitar os caminhos de desenvolvimento e os sistemas sociais escolhidos pelos povos de cada país.
Desenvolvimento e conflitos
Han cobrou dos países desenvolvidos o cumprimento de compromissos de financiamento ao desenvolvimento e de financiamento climático. Entre as prioridades citadas estavam a redução da pobreza, a segurança alimentar e a transição energética, com maior destinação de recursos ao chamado Sul Global.
Na política externa, o vice-líder chinês afirmou que os conflitos precisam ser superados para a construção de uma paz duradoura. Sobre o Oriente Médio, defendeu o respeito à soberania e à segurança dos países da região, incluindo os países do Golfo. O conflito contra o Irã, iniciado em 28 de fevereiro por Estados Unidos e Israel, não foi mencionado diretamente.
A Ucrânia também foi abordada sem referência à Rússia, aliada da China. Han limitou-se a dizer que Xi Jinping já havia apresentado seus pontos sobre o que deveria ser feito. Em relação a Cuba, porém, pediu o fim da ameaça do uso da força e a suspensão do bloqueio e das sanções aplicados pelos Estados Unidos.
O discurso não citou Taiwan, diferentemente do posicionamento chinês de 2023. Han relembrou a Resolução 2758, adotada pela ONU em 1971, que reconheceu a República Popular da China como única representante legítima do país nas Nações Unidas e expulsou os representantes taiwaneses. Taiwan é considerado por Pequim parte inalienável de seu território.
Xi estava nos Estados Unidos até esta sexta-feira (25), em visita de Estado, mas não participou do debate da ONU. A viagem durou três dias, assim como a visita oficial feita por Donald Trump a Xi em maio. A questão de Taiwan esteve entre os temas mais sensíveis das conversas, em meio à oposição chinesa à venda de US$ 14 bilhões em armamentos americanos para Taipé.


