O Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho foram incluídos em uma lista de 24 organizações transnacionais classificadas como narcoterroristas por meio de uma declaração conjunta dos Estados Unidos e 14 países latino-americanos. A iniciativa prevê medidas contra integrantes, associados e apoiadores dos grupos, conforme a legislação de cada país.
Entre as ações previstas estão o congelamento de bens, restrições de imigração e de vistos e a responsabilização criminal de pessoas que ofereçam apoio material às organizações. O documento também estabelece maior coordenação de sanções, designações e medidas financeiras.
A declaração afirma que a parceria, chamada de “Escudo das Américas”, pretende ampliar a cooperação econômica, de segurança e multilateral entre os governos signatários. Os países também planejam compartilhar informações, facilitar o acesso a tecnologias e recursos de segurança, treinar agentes públicos e trocar boas práticas.
Além das duas facções brasileiras, a relação inclui Mara Salvatrucha (MS-13), Trem de Aragua, Cartel de Sinaloa, Cartel de Jalisco Nueva Generación (CJNG), Cartel del Golfo, Cartel de Juárez, Gran Grif, Viv Ansanm, Los Lobos, Los Choneros, Barrio 18, Cartel de los Soles, Clan del Golfo, Los Viagras, ELN, Sendero Luminoso, Los Tiguerones, Cartel del Nordeste, Nova Família Michoacana, Assassinos Chone e grupos dissidentes das FARC.
Os signatários são Estados Unidos, Argentina, Bolívia, Chile, Colômbia, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru e Trinidad e Tobago. Na semana passada, Donald Trump afirmou que o governo brasileiro não teria feito o suficiente para combater as facções e disse que o país teria se tornado um “centro para fluxos globais de cocaína”.
Próximas medidas
Na área econômica, a declaração prevê mecanismos de análise de investimentos, proteção de cadeias de fornecimento de minerais críticos e preferência por fornecedores considerados confiáveis para a infraestrutura digital. O documento também menciona a defesa da soberania nacional e da autodeterminação por meio de fóruns multilaterais.
Como primeira ação conjunta, os governos pretendem solicitar ao presidente do Conselho Permanente da Organização dos Estados Americanos uma reunião sobre o Tratado Interamericano de Assistência Recíproca, conhecido como Tratado do Rio. Depois da convocação, a intenção é realizar uma reunião ministerial para facilitar ações coletivas contra organizações narcoterroristas.
A iniciativa representa a primeira vez que governos latino-americanos assinam, ao lado de Washington, uma designação de organizações como terroristas.


