A situação de mulheres e meninas afegãs voltou ao centro das discussões internacionais com um apelo de 43 países pela revogação das medidas impostas pelo governo talibã. A declaração foi apresentada antes de uma reunião do Conselho de Segurança sobre o Afeganistão, em nome dos signatários, por Jérôme Bonnafont, representante da França na ONU.
Entre os países latino-americanos que aderiram ao documento estão Colômbia, México e Panamá. A maioria dos signatários é europeia. O grupo pediu o fim das restrições aos direitos das mulheres e meninas, além da interrupção das violações de direitos humanos.
Educação e repressão
De acordo com a Unesco, cerca de 2,4 milhões de meninas e jovens mulheres estão privadas do ensino médio no Afeganistão. O mês passado marcou cinco anos desde a retomada do poder pelos talibãs, que passaram a impor medidas descritas pela ONU como “restrições sufocantes”.
Bonnafont afirmou que, desde agosto de 2021, as autoridades talibãs mantêm uma política de segregação de gênero que restringe o acesso feminino à educação, à saúde e ao emprego. Ele também relatou que mulheres acusadas de desobedecer às regras podem ser detidas ou presas de forma arbitrária.
As medidas alcançariam ainda pessoas que apoiam essas mulheres ou que são vistas como críticas ao governo talibã, sujeitas a prisão e represálias.
Repatriações
O apelo ocorre enquanto continuam os retornos forçados ao Afeganistão, apesar da situação humanitária descrita no documento e da pobreza enfrentada por grande parte da população. Segundo as Nações Unidas, mais de 400 mil afegãos foram repatriados à força este ano, principalmente a partir do Irã e do Paquistão.


