O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, convocou eleições antecipadas para 29 de novembro, depois de o Parlamento rejeitar propostas destinadas a enfrentar a crise imobiliária. A falta de medidas para a habitação tem provocado protestos no país.
Sánchez afirmou que pretende conquistar uma maioria progressista mais ampla. Em discurso televisionado, declarou que esse resultado permitiria superar interesses estabelecidos e avançar em iniciativas sociais e ambientais. A convocação ocorre em um cenário desfavorável para o Partido Socialista, que aparece atrás em quase todas as pesquisas de opinião.
Uma derrota encerraria o governo de esquerda liderado por Sánchez. O primeiro-ministro, porém, pode tentar converter a insatisfação com os preços da moradia em apoio nas urnas. O líder do Partido Popular (PP), Alberto Núñez Feijóo, prometeu elevar a construção habitacional para 200 mil unidades por ano e reduzir impostos se assumir o governo. Para ele, a habitação é o principal fracasso da administração atual.
As pesquisas indicam como possibilidade mais provável uma coalizão liderada pelo PP, com apoio do Vox. Nesse cenário, um partido de extrema direita poderia participar do governo central espanhol pela primeira vez desde a redemocratização do país, após a morte de Francisco Franco, em 1975. O líder do Vox, Santiago Abascal, disse que o resultado permanece imprevisível.
Sánchez está no poder há oito anos, sustentado por coalizões formadas por partidos de diferentes posições políticas. A fragmentação dos aliados dificultou a aprovação de um orçamento e de leis desde 2023, apesar do desempenho da economia espanhola, descrito como superior ao de outras economias desenvolvidas.
Medidas habitacionais
O governo também pretende tentar aprovar os dois decretos sobre habitação rejeitados pelo Parlamento por meio de um mecanismo legislativo pouco utilizado. Com a dissolução da Câmara, continua funcionando um órgão permanente formado por 68 integrantes, além do presidente da Casa. As medidas teriam apoio de 35 membros, contra 34.


