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Como a saída de oito cientistas ajudou a formar o Vale do Silício

William Shockley ganhou o Nobel de Física, perdeu sua equipe e depois defendeu ideias eugenistas e racistas.

Como a saída de oito cientistas ajudou a formar o Vale do Silício
Foto: shutterstock

William Shockley, vencedor do Prêmio Nobel de Física de 1956, perdeu oito dos principais pesquisadores de sua empresa em um único dia. A saída levou à criação da Fairchild Semiconductor, companhia associada à expansão empresarial que deu ao Vale do Silício a projeção conhecida atualmente.

Shockley dividiu o prêmio com John Bardeen e Walter Brattain pela descoberta do efeito transistor, tecnologia que substituiu as válvulas de grande porte e se tornou a base da eletrônica moderna. Em 1947, nos Bell Labs, Shockley desenvolveu a teoria relacionada ao fenômeno, enquanto Bardeen e Brattain construíram o primeiro transistor. Mais tarde, ele aperfeiçoou a invenção com o transistor de junção, mais confiável e simples de fabricar.

A ruptura na empresa

Com o prestígio do Nobel, Shockley abriu uma fábrica de transistores de silício perto de São Francisco, nos Estados Unidos. Para formar a equipe, recrutou jovens cientistas e engenheiros. O laboratório, porém, ficou submetido ao controle rigoroso do fundador, que chegou a exigir que todos os funcionários passassem por um teste de detector de mentiras. A equipe recusou.

Shockley também insistia em direcionar os pesquisadores para o desenvolvimento do diodo de quatro camadas, considerado pouco promissor por eles. Os funcionários defendiam uma estratégia voltada à produção imediata de transistores de silício. Como Shockley não aceitou alterar o plano, os oito deixaram a empresa com um empréstimo garantido e fundaram a Fairchild Semiconductor.

A empresa de Shockley não se recuperou da saída e ele a deixou em 1960. A ruptura é associada à origem da expansão empreendedora que transformou o Vale do Silício em um centro conhecido da indústria de tecnologia.

Eugenia e racismo

Fora da empresa, Shockley passou a defender que a diferença de QI entre negros e brancos americanos tinha causas genéticas. Como professor em Stanford, criou a Foundation for Research and Education on Eugenics and Dysgenics (FREED), entidade voltada à defesa da esterilização remunerada. A organização não realizava pesquisas e funcionava como instrumento de divulgação de suas ideias, com apoio financeiro da Pioneer Fund.

O Southern Poverty Law Center classifica essas posições como pseudociência racista e afirma que Shockley não apresentou evidências para sustentá-las. Ele também doou esperma a um banco que ficou conhecido como “dos gênios Nobel” e foi o único laureado a reconhecer publicamente a doação.

Em 1982, disputou a prévia republicana ao Senado da Califórnia defendendo o combate ao que chamava de ameaça disgênica. Recebeu 0,37% dos votos. Depois de processar a Cox Enterprises, ganhou a ação e recebeu US$ 1 de indenização. Shockley morreu em 1989, afastado da família.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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