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Ciência

Vídeos sobre ultraprocessados ajudam a informar, mas não revelam proporções exatas

Especialistas afirmam que as imagens podem ampliar a conscientização, mas alertam para limites dos rótulos e riscos de associações simplificadas.

Vídeos sobre ultraprocessados ajudam a informar, mas não revelam proporções exatas
Foto: Science Snitch no Instagram/Reprodução

Vídeos que desmontam visualmente refrigerantes, salgadinhos, doces e outros produtos ultraprocessados podem ajudar o público a observar os ingredientes dos alimentos, mas não permitem determinar com precisão a quantidade de cada componente. Especialistas em nutrição e ciência de alimentos afirmam que as imagens devem ser vistas com cautela, porque muitas vezes representam os ingredientes sem reproduzir fielmente a composição do produto.

O que os rótulos permitem saber

No Brasil e nos Estados Unidos, os ingredientes aparecem nos rótulos em ordem decrescente de quantidade. Isso significa que o primeiro componente está presente em maior quantidade que o segundo, e assim por diante. A proporção exata de cada ingrediente, porém, não é informada.

A ausência desses dados limita as estimativas feitas a partir das embalagens, afirma Laís Botelho, professora do programa de nutrição e saúde coletiva da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) de Macaé (RJ). Para ela, a correspondência visual pode fazer sentido em alguns produtos, mas não necessariamente em todos.

Patrícia Mello Silva, mestre em gestão ambiental pela EACH-USP (Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP), considera que os vídeos aproximam o consumidor de uma lista que costuma ser pouco consultada e pode ser difícil de interpretar. Ela ressalta, no entanto, que os elementos mostrados podem ser apenas representações dos ingredientes, e não os materiais efetivamente usados na fabricação.

A criadora Science Snitch afirma que produz os vídeos para explicar a ciência relacionada à alimentação. Segundo ela, o processo envolve a leitura dos rótulos e o cruzamento da lista de ingredientes com as informações nutricionais, o que permitiria chegar a estimativas de algumas quantidades. O perfil não informa formação acadêmica ou experiência em ciência de alimentos, e os vídeos não apresentam referências bibliográficas. Questionada sobre esses pontos, a criadora não respondeu.

Flávia Luiza, de 48 anos, responsável pelo perfil Rótulo Revelado, diz que criou a página em julho deste ano. Formada em negócios imobiliários, ela afirma que pesquisa os ingredientes usados em cada vídeo, mas reconhece que não dispõe das proporções exatas nem realiza análises laboratoriais. “Meu canal mostra apenas uma representação visual dos ingredientes”, afirma.

Risco de simplificação

Mariana Ribeiro, nutricionista do programa de alimentação saudável do Idec (Instituto de Defesa dos Consumidores), considera positiva a possibilidade de conscientização, mas diz que as quantidades não podem ser inferidas de forma precisa apenas pela listagem dos ingredientes. Para ela, o formato pode ser uma ação adicional, mas não resolve sozinho a questão dos ultraprocessados.

Outro ponto levantado por Giovanna Pisanelli, doutora em ciência de alimentos e responsável pelo aplicativo Desrotulando, é a associação automática entre aditivos químicos e risco à saúde. Os aditivos têm funções diferentes: alguns contribuem para a segurança microbiológica, enquanto outros exercem função cosmética e não acrescentam valor nutricional. A presença de um nome pouco conhecido no rótulo, portanto, não permite concluir isoladamente que o ingrediente seja prejudicial.

Nos Estados Unidos, um relatório do CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças) de 2023 indica que alimentos ultraprocessados representam cerca de 55% do consumo diário das pessoas com um ano ou mais de idade. O dado ajuda a dimensionar a presença desses produtos na alimentação, mas não elimina a necessidade de interpretar as informações de cada alimento.

As especialistas ouvidas consideram importante ampliar o conhecimento sobre alimentação saudável. Botelho, porém, alerta que mensagens baseadas no medo podem produzir uma mudança de comportamento sem oferecer alternativas. Nessa situação, a reação pode ser evitar o tema em vez de buscar informação.

Informação além do impacto visual

Ribeiro compara a estratégia dos vídeos ao rótulo frontal da Anvisa, que identifica na frente das embalagens produtos com alto teor de açúcar, gordura e sódio. Silva avalia que as imagens podem aproximar o público de conteúdos científicos, embora existam perfis com abordagens mais informativas.

Entre as alternativas apontadas pelo Desrotulando estão sugerir substituições, explicar melhor os valores nutricionais e diferenciar eliminação, moderação e troca de produtos. A proposta é evitar que o consumidor interprete a alimentação como uma escolha entre proibição absoluta e consumo sem restrições.

Para Pisanelli, as redes sociais ampliaram tanto a circulação de mitos quanto a oferta de conteúdo baseado em evidências. Nesse ambiente, afirma, mensagens alarmistas podem gerar mais engajamento, enquanto a educação alimentar depende de informação contextualizada e de orientação sobre as opções disponíveis.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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