A influência dos algoritmos sobre a visão política dos jovens é uma preocupação comum entre os participantes da Galera CAPRICHO que votarão pela primeira vez no domingo (4). Para eles, a velocidade das redes sociais estimula posicionamentos imediatos, antes que seja possível verificar informações e compreender os assuntos em debate.
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contabiliza três milhões e quinhentos mil novos eleitores com 16 a 18 anos. Embora o voto seja facultativo para menores de 18 anos, os jovens demonstram interesse em participar da escolha de presidente da República, governador, senador e deputados federais, estaduais ou distritais.
Informação em meio à velocidade
Lívya Nascimento, de 18 anos, afirma que as redes sociais se tornaram um dos principais espaços de expressão de uma geração que cresceu conectada. Durante o período eleitoral, ela procura se manter informada, mas também se sente cansada diante do volume de campanhas e conteúdos.
Para avaliar o que aparece no feed, Lívya verifica a origem da informação, observa se houve uso de inteligência artificial e procura identificar linguagem sensacionalista ou conteúdos apresentados de forma incompleta. A preocupação é não compartilhar ou considerar confiável algo que tenha sido produzido para gerar engajamento.
Pablo Zanoto, de 18 anos, destaca que a internet ampliou o acesso ao conhecimento, mas também aumentou a exigência por senso crítico. Ele identifica uma pressão para que os jovens escolham rapidamente um lado ou um partido, mesmo quando ainda não tiveram tempo de pesquisar o tema.
A educação aparece, para Pablo, como uma questão central da escolha política. Na avaliação dele, os candidatos devem apresentar projetos sólidos para a área, enquanto a formação dos jovens pode contribuir para que se tornem adultos mais conscientes.
Polarização e autonomia
A polarização é outro ponto recorrente nos relatos. Maria Júlia Brasileiro considera que o ambiente político atual dificulta a construção de uma opinião própria, porque muitos jovens se sentem pressionados a se identificar com um dos extremos. Ela também critica a transformação da política em uma disputa entre posições tratadas como incompatíveis, o que reduziria a capacidade de questionar, concordar ou discordar.
Endy Leme, de 16 anos, defende que esquerda e direita sejam compreendidas como orientações do espectro político, e não apenas associadas a candidatos específicos. Júlia Passos, de 18 anos, relaciona a política a debates e discussões provocados por candidatos e critica a adesão sem questionamento a figuras políticas.
Natchi Coelho, de 16 anos, ressalta a responsabilidade envolvida no primeiro voto e a necessidade de conhecer as regras, o sistema e os representantes antes de decidir. Madu Vilar, de 17 anos, também defende que os jovens estudem política e formem suas próprias conclusões.
Participação para além das urnas
Para Luiza Salles, de 18 anos, o interesse pela política foi construído desde a infância, em um ambiente familiar marcado por debates e questionamentos. Ela contesta a ideia de que manifestações políticas de adolescentes sejam apenas rebeldia e afirma que a juventude pode participar das discussões mesmo sem ter a mesma maturidade de um adulto.
Giulliana Milani, de 18 anos, associa a participação política às incertezas da entrada na vida adulta, em um contexto de redes sociais, inteligência artificial e novas tecnologias. Entre as preocupações estão as condições para estudar, trabalhar, conquistar independência financeira e construir um futuro.
Na visão dela, política também envolve acesso à saúde, alimentação, moradia, segurança e educação, além do direito de se expressar, amar, criar, escolher quem ser e ocupar espaços sem abrir mão de parte da própria identidade. É com essas questões que os jovens participantes se aproximam do primeiro voto.


