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Política

Redes sociais ampliam o peso dos influenciadores nas eleições de 2026

O crescimento digital de Augusto Cury expõe os desafios de medir influência, engajamento e propaganda na disputa eleitoral.

Redes sociais ampliam o peso dos influenciadores nas eleições de 2026
Foto: Felipe Marques/Zimel Press/Folhapress

A expansão de Augusto Cury nas redes sociais recolocou no centro do debate eleitoral o poder dos influenciadores de mobilizar atenção e interferir na formação da opinião pública. O movimento ocorreu junto de uma alta no engajamento e de mudanças nas pesquisas, embora os dados disponíveis não permitam afirmar que um fenômeno tenha causado o outro.

Levantamento da Ativaweb DataLab indica que Cury passou de aproximadamente 8,3 milhões para 10,8 milhões de seguidores no Instagram entre 23 e 29 de agosto. Em apenas dois dias, entre 26 e 27 de agosto, a conta ganhou 1,87 milhão de seguidores.

A velocidade também mudou de forma significativa. Antes do debate presidencial da Band, a média diária era de 1,8 mil novos seguidores. No período posterior, chegou a 411 mil, o que representa uma aceleração de aproximadamente 226 vezes.

Nas pesquisas eleitorais, Cury avançou de 2% para 11% no levantamento BTG/Nexus e de 1,6% para 7,8% na AtlasIntel. A coincidência temporal entre o crescimento nas plataformas e a melhora nos levantamentos chama atenção, mas não estabelece, por si só, uma relação de causa e efeito.

Influência, algoritmo e propaganda

A novidade para a política não está apenas na presença de pessoas conhecidas em campanhas. O alcance pode ser produzido em alta velocidade pelas próprias plataformas, que recomendam conteúdos a usuários que nem sempre estavam procurando informações políticas. Com isso, um influenciador pode impulsionar não apenas uma candidatura, mas também uma pauta ou uma interpretação sobre a disputa.

Essa dinâmica cria uma dificuldade para as eleições de 2026: distinguir uma preferência manifestada espontaneamente de uma ação de propaganda eleitoral. A manifestação política de um influenciador não é, automaticamente, propaganda irregular, assim como o crescimento de uma conta não comprova a existência de uma operação organizada. O desafio está em estabelecer formas de acompanhamento e fiscalização compatíveis com esse ambiente.

O caso de Cury também levanta uma questão sobre a relação entre redes e pesquisas. Se sistemas de recomendação conseguem ampliar movimentos de opinião antes que eles apareçam nos levantamentos tradicionais, a capacidade de inserir um candidato nessas redes pode se tornar um ativo eleitoral relevante. Nesse cenário, a disputa envolve não apenas a conquista do voto, mas também a atenção que o antecede.

As limitações impostas pela Meta ao tráfego orgânico de suas ferramentas de recomendação e as evidências de atuação de influenciadores em episódios de grande repercussão, como o caso envolvendo o Banco Master, ampliam a necessidade de observar esse poder de comunicação. Para Paulo Loiola, estrategista político, Mestre em Gestão Pública pela FGV/EBAPE e sócio da Baselab, a discussão deve considerar quem controla essa dinâmica, quais são seus limites e como informar o eleitor sobre a natureza do conteúdo que recebe.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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