O ministro aposentado Marco Aurélio Mello afirmou que o Supremo Tribunal Federal (STF) atravessa uma crise que pode comprometer a própria instituição. Em entrevista ao programa Sala de Imprensa, ele criticou a atuação de Alexandre de Moraes, questionou a conduta do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e defendeu o ministro André Mendonça e a Polícia Federal.
Mello disse ter se arrependido de ter apoiado a indicação de Moraes para o STF, em 2017. Na avaliação dele, o ministro perdeu o controle na condução de sua atividade judicial e passou a ser alvo de rejeição da população. O ministro aposentado afirmou que eventuais responsabilidades poderiam ser analisadas pelo próprio Supremo, em casos de crimes comuns, ou pelo Senado da República, em crimes de responsabilidade.
Moraes é atualmente vice-presidente da Corte e, pela regra de alternância, deverá assumir a presidência em 2027. Marco Aurélio mencionou essa possibilidade ao criticar o desgaste provocado pelo conflito entre Moraes e Mendonça. Para ele, os ministros deveriam se aproximar da população e reconhecer a necessidade de rever condutas.
Críticas ao Supremo e à Procuradoria-Geral
O ex-ministro afirmou estar estarrecido e atônito com decisões e investigações conduzidas pelo Supremo. Também disse que a instituição sofre desgaste e lembrou que os integrantes da Corte ocupam os cargos temporariamente. Ao cobrar uma reação dos ministros, declarou: “Não podemos continuar sob pena de suicídio do Supremo.”
A crítica a Paulo Gonet está relacionada a um procedimento encaminhado por André Mendonça ao Ministério Público. Conforme o relato de Marco Aurélio, Mendonça recebeu um relatório da Polícia Federal e o encaminhou para análise, sem realizar investigação própria. O documento mencionava Gonet como envolvido em conversas de Vorcaro.
Por isso, Marco Aurélio avaliou que o procurador-geral da República não deveria atuar no caso em que aparece citado. Na opinião dele, o procedimento deveria ser submetido a outro procurador.
Defesa de Mendonça e da Polícia Federal
Marco Aurélio rejeitou a hipótese de que André Mendonça tenha interferido na Polícia Federal, caso não surjam provas nesse sentido. Ele afirmou que, até o momento, os integrantes da corporação têm atuado de forma transparente e compatível com as responsabilidades de agentes públicos.
O ministro aposentado também disse que não procurou Moraes nem Mendonça para oferecer solidariedade ou compreender diretamente o conflito. Para ele, a atuação judicial não deve depender de apoio pessoal entre integrantes do tribunal, mas de conhecimento técnico e formação humanística.
Aposentado, Marco Aurélio afirmou que não abandonou a atividade profissional. Ele reativou seu cadastro na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e passou a receber honorários pela elaboração de pareceres.


