O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou novas propostas de regulamentação da inteligência artificial e afirmou que o governo já tem instrumentos regulatórios e criminais para responsabilizar empresas do setor. Em publicação na rede Truth Social, ele disse que a única proteção necessária seria um presidente “forte e inteligente”, em referência a si próprio.
Trump também declarou que a desconfiança sobre o avanço da tecnologia beneficiaria apenas a China. Para o presidente, já existe poder suficiente para que as autoridades atuem contra empresas de inteligência artificial e data centers. Ele chamou de “conspiração doentia” as críticas relacionadas aos riscos do setor.
Pressão por regras e auditorias
As declarações foram feitas após executivos de empresas de inteligência artificial defenderem medidas para reduzir o ritmo de desenvolvimento dos modelos mais avançados. O debate ganhou força depois que Jacob Coxon, ex-pesquisador da Anthropic, afirmou que pessoas envolvidas na criação dessas tecnologias acreditam que elas poderiam causar danos extremos à humanidade até o fim da década.
O presidente-executivo da Anthropic, Dario Amodei, publicou um ensaio no sábado em defesa de regras que obriguem os Estados Unidos a exigir auditorias independentes dos chamados modelos de fronteira. Esses sistemas são capazes de executar tarefas complexas, operar ferramentas, gerar códigos e atuar em diferentes áreas com elevado grau de autonomia.
Amodei também propôs cooperação entre empresas para desacelerar o desenvolvimento enquanto os mecanismos de segurança não acompanharem a evolução tecnológica. A ideia recebeu apoio de Elon Musk, da xAI, e Sam Altman, da OpenAI.
O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, criticou o pedido de regulamentação feito por empresas do setor e afirmou ser cético quanto à criação de novas regras federais. O presidente da Câmara dos Deputados dos EUA, Mike Johnson, disse esperar uma reunião entre Trump e executivos ainda nesta semana ou no início da próxima. O encontro deverá tratar da responsabilidade das empresas pela segurança dos produtos e do papel do governo.
Projeto no Senado e conflito com a Anthropic
Três senadores norte-americanos negociam um projeto que poderá exigir das empresas provas de que adotam medidas para evitar danos provocados por seus sistemas. A proposta pode incluir avaliações de risco, auditorias independentes e planos de resposta a incidentes envolvendo modelos avançados.
O senador Mark Warner, democrata da Virgínia, conversou com Amodei e Sam Altman sobre segurança da inteligência artificial.
O governo Trump também está em disputa com a Anthropic sobre o uso militar da tecnologia. O secretário de Defesa, Pete Hegseth, impediu a empresa de participar de determinados contratos militares depois que ela se recusou a permitir o uso de seus modelos Claude para vigilância doméstica e armas autônomas.
A Anthropic levou o caso à Justiça na Califórnia. Em 27 de agosto, um juiz federal decidiu a favor da empresa em uma das ações ligadas ao conflito. Trump criticou Amodei e afirmou que o governo já havia impedido integrantes do setor de conduzir atividades que poderiam causar danos. A Anthropic ainda não tinha respondido aos pedidos de comentário sobre as declarações do presidente.
A disputa reúne duas posições. Trump e Vance afirmam que novas exigências poderiam prejudicar a competitividade dos Estados Unidos diante da China. Executivos e pesquisadores, por outro lado, defendem regras específicas, auditorias e mais tempo para testar os riscos dos modelos mais poderosos. A divergência central é se os mecanismos atuais bastam ou se o avanço da tecnologia supera a capacidade de fiscalização do governo.



