NUUK — A União Europeia anunciou € 200 milhões para a Groenlândia nos próximos dois anos, com investimentos em combate às mudanças climáticas, conexões de internet, usinas hidrelétricas, pesca e educação. O anúncio foi feito durante a visita de Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, à capital groenlandesa, nesta segunda-feira, 7.
A iniciativa também prevê recursos para habitação, pequenas empresas e turismo sustentável. Von der Leyen afirmou que pretende dobrar o apoio orçamentário do bloco à Groenlândia, alcançando cerca de meio bilhão de euros a partir de 2028. O compromisso foi formalizado em uma declaração assinada pela União Europeia, pela Groenlândia, pelo primeiro-ministro Jens-Frederik Nielsen e pela primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen.
“A Groenlândia pode contar com a União Europeia”, disse von der Leyen. A Groenlândia é um território semiautônomo da Dinamarca, que integra a Otan.
Disputa sobre a soberania
A aproximação europeia ocorre depois de Donald Trump repetir que os Estados Unidos deveriam assumir o controle da ilha por razões de segurança. As declarações provocaram resistência de líderes groenlandeses e dinamarqueses, além de preocupações sobre a soberania e aumento das tensões entre os aliados da Otan.
Von der Leyen afirmou que a decisão sobre o futuro do território cabe aos groenlandeses e aos dinamarqueses e citou a soberania, a integridade territorial e a inviolabilidade das fronteiras como princípios do direito internacional.
Nielsen classificou a União Europeia, formada por 27 nações, como um amigo leal e confiável. O primeiro-ministro disse que a ilha enfrenta novos desafios que não consegue enfrentar sozinha e agradeceu o apoio europeu.
Exercícios militares no Ártico
A Dinamarca e sete aliados europeus enviaram um pequeno grupo de militares à Groenlândia em janeiro. Publicamente, a missão foi apresentada como um exercício voltado ao reforço da segurança no Ártico, mas também demonstrou apoio à soberania da ilha.
Em resposta, Trump ameaçou impor novas tarifas contra Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Holanda, Noruega, Suécia e Reino Unido. Os países condenaram a medida por prejudicar as relações transatlânticas. Trump recuou depois que a Otan concordou em reforçar a segurança no Ártico.
Nesta segunda-feira, 11 países da Otan iniciaram os exercícios Arctic Shield na Groenlândia. A operação reúne cerca de 400 militares, incluindo forças especiais do Canadá, da Dinamarca e da Finlândia treinadas para atuar em condições árticas. As atividades ocorrerão de 7 a 18 de setembro e não contam com tropas dos Estados Unidos.


