SOROCABA — A Polícia Civil de São Paulo apreendeu cerca de R$ 686 mil em dinheiro na residência de um ex-assessor ligado a Milton Leite, ex-vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo. A quantia encontrada nesta sexta-feira (18) era formada por R$ 280 mil em espécie e US$ 79 mil, equivalentes a aproximadamente R$ 406 mil no câmbio do dia.
A ação ocorreu em Sorocaba e tinha como objetivo localizar e prender Milton Leite, que é alvo de um mandado de prisão temporária na Operação Vectura Corrupta. Ele não foi encontrado no endereço e é considerado foragido pela Justiça há mais de 24 horas. Todo o dinheiro localizado foi apreendido pelas autoridades.
Na quinta-feira (17), Leite afirmou que pretendia se apresentar à polícia. “Eu vou me apresentar, eu pedi 24 horas para poder me apresentar. Não estou me escondendo não”, declarou. O ex-vereador disse que estava viajando pelo interior paulista para acompanhar a campanha eleitoral de seu filho, Milton Leite Filho (União), candidato a uma vaga na Câmara dos Deputados.
Investigação sobre o transporte público
Deflagrada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), a Operação Vectura Corrupta apura a suspeita de infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de transporte coletivo por ônibus na capital paulista.
A Justiça determinou a prisão temporária de 16 investigados. Até o momento, 10 pessoas foram presas e seis continuam sendo procuradas. Segundo o delegado Fabricio Intelizano, os investigados ficarão detidos por 30 dias, prazo que pode ser prorrogado por igual período. A apuração busca estabelecer a responsabilidade e o grau de participação de cada suspeito.
Entre os alvos está Levi dos Santos Oliveira, ex-presidente da SPTrans, preso na quinta-feira. As autoridades também cumpriram outros 18 mandados de busca e apreensão em municípios da capital, do interior e do litoral paulista.
As investigações apontam que pelo menos 12 das 22 empresas concessionárias do transporte coletivo de São Paulo seriam controladas pelo PCC. A suspeita envolve empresas de fachada, direcionamento ilegal de licitações públicas, apoio político e lavagem de dinheiro.
Manifestações da prefeitura e da Câmara
A defesa de Levi dos Santos Oliveira disse ter sido surpreendida pela prisão e afirmou que aguarda acesso integral aos autos para definir as medidas jurídicas cabíveis.
A Prefeitura de São Paulo declarou que a intervenção na Transwolff, em abril de 2024, foi uma medida preventiva para proteger o sistema municipal de transporte. Informou ainda que determinou, no mesmo período, a intervenção na UPBus, “mesmo sem qualquer solicitação da Justiça”.
O Executivo municipal também comunicou a abertura de processo administrativo pela Controladoria-Geral do Município contra as empresas investigadas e afirmou colaborar com o MPSP e a Polícia Civil. A Câmara Municipal de São Paulo disse acompanhar os desdobramentos da investigação e aguardar as conclusões oficiais.


