O artigo defende que a eleição de 4 de outubro terá efeitos sobre a democracia brasileira, a soberania nacional e a posição do país na geopolítica sul-americana. O autor apresenta a disputa entre Lula e Flávio Bolsonaro como uma escolha entre projetos políticos incompatíveis e afirma que os eleitores precisam conversar com quem ainda não teria clareza sobre o que está em jogo.
A argumentação associa a candidatura de Lula à defesa do multilateralismo, da liberdade religiosa, da igualdade de direitos e da negociação entre os interesses nacionais e os da humanidade. Já o grupo ligado a Flávio Bolsonaro é descrito pelo autor como alinhado a interesses norte-americanos, à desmoralização das instituições e à disseminação do medo. Essas caracterizações fazem parte da posição defendida no artigo.
Democracia e soberania
O texto relaciona a eleição a temas como armas nucleares, aquecimento global, pandemias, Organização das Nações Unidas (ONU) e os valores que orientariam a vida em sociedades globalizadas. Também cita, como ameaças ao país, a Lava Jato, o teto de gastos, as emendas impositivas, as privatizações, o bolsonarismo, o antipetismo e o que chama de entreguismo.
Na avaliação do autor, acontecimentos na Argentina, no Paraguai, no Chile, na Colômbia, no Equador, no Peru e na Bolívia indicariam um processo regional que poderia alcançar o Brasil. O artigo afirma ainda que Flávio Bolsonaro teria pedido a Marco Rubio a manutenção de taxações sobre produtos brasileiros até as eleições e sanções contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Também sustenta que ele teria reservado espaço para interesses norte-americanos em uma eventual equipe de governo.
O autor apresenta Lula como uma alternativa de resistência à colonização e à rapina na América do Sul. Para sustentar essa visão, menciona posições atribuídas ao candidato em favor da paz, do multilateralismo, da liberdade religiosa e da igualdade de direitos e deveres.
Religião e disputa de valores
Parte significativa do artigo é dedicada à religião. O autor afirma que integrantes do grupo de Flávio Bolsonaro teriam tentado desmoralizar Maria, Nossa Senhora Aparecida, e relaciona essa discussão à identidade religiosa de milhões de brasileiros. O texto menciona J.B. Carvalho, bispo da Comunidade das Nações, e atribui a ele a defesa, em um livro, de que a devoção a Maria estaria relacionada a crises, recessão, inflação, secas, enchentes e aumento da criminalidade.
O artigo também cita Zé Barbosa Júnior, apresentado como pastor que orienta Flávio, e afirma que Flávio teria dito que retiraria a proteção de Maria para entregar o Brasil a Jesus. A partir desses episódios, o autor questiona se cristãos votariam no candidato caso conhecessem suas posições e as de seus aliados.
A defesa de Lula é inserida em uma lista de referências políticas, sociais e religiosas que, segundo o texto, representariam caminhos de paz e de cuidado com o bem comum. Entre os nomes citados estão Leonel Brizola, Pepe Mujica, Ana Primavesi, Dorothy Stang, Chico Mendes, Martin Luther King, Mandela e o próprio Lula. Também são mencionados São João Batista, São Jorge, São Francisco, Santo Expedito, Santo Antônio, Santa Clara e Maria.
Bets e acusações políticas
Outro eixo do texto é a crítica às bets. O autor afirma que Flávio Bolsonaro apoia essas empresas, enquanto Lula as teria proibido, e calcula que elas teriam retirado 141 bilhões de reais das famílias brasileiras. Segundo a argumentação apresentada, 10 bilhões teriam sido pagos em impostos, enquanto o restante teria sido associado à lavagem de dinheiro, a golpes, milícias e corrupção.
O artigo atribui ao Sistema Único de Saúde (SUS) um custo anual de R$ 38 bilhões relacionado a tentativas de suicídio, perda de qualidade de vida, destruição de laços familiares, depressão, alcoolismo, criminalidade e encarceramento de familiares. Também afirma que 79% das mulheres seriam favoráveis à proibição das bets.
O texto faz ainda acusações contra pessoas ligadas à candidatura de Flávio Bolsonaro. Afirma que Alfredo Gaspar (PL-AL), apresentado como vice-presidente escolhido por Flávio, seria suspeito de estupro e pedofilia. Também sustenta que Flávio teria mentido mais de 40 vezes em relação ao seu envolvimento com Daniel Vorcaro. Essas alegações são apresentadas pelo autor como razões para rejeitar a candidatura.
No encerramento, o autor declara que não votará em Flávio Bolsonaro nem em pessoas alinhadas a ele. Afirma esperar a eleição de Lula no primeiro turno e a vitória de Juliana Brizola e Edegar Preto no segundo turno. A conclusão convoca os leitores a tratar a escolha eleitoral como uma disputa entre democracia e autoritarismo, soberania e dependência externa, além de recomendar a música “Haiti”, de Caetano Veloso.


