Documentos tornados públicos na sexta-feira (11) indicam que o Banco de Brasília (BRB) transferiu cerca de R$ 17 bilhões ao Banco Master e comprou R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito que não conseguia auditar adequadamente por falta de documentação.
Os registros foram divulgados após o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça autorizar a quebra de sigilos em investigações sobre o Banco Master, instituição ligada ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Suspeita de fraude
As apurações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal, com apontamentos de Mendonça, indicam a possibilidade de um esquema estruturado para contornar a fiscalização do Banco Central. A suspeita é que o Master não tivesse carteira real suficiente de crédito consignado para sustentar a captação.
Nesse cenário, o banco teria emitido e cedido ao BRB Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) sem lastro considerado idôneo. A operação teria contado com a Tirreno, descrita nas investigações como empresa de fachada ligada à Cartos, e com agentes responsáveis por produzir documentos que simulassem a regularidade das transações.
Extratos bancários e atas societárias atribuídos à Tirreno teriam sido antedatados e adulterados. Os investigadores também apontam a criação de um grupo no WhatsApp chamado “INFO-BRB”, usado para fabricar, ajustar e fornecer ao banco público documentos de garantias fictícias.
Mendonça afirmou que o Master teria passado a “fabricar e ceder Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) sem lastro idôneo ao BRB”, com apoio da Tirreno e de pessoas envolvidas na produção dos documentos artificiais.


