A governadora do Distrito Federal, Celina Leão (PP), afirmou que pretende acionar a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por uma declaração sobre a crise do Banco de Brasília (BRB). Lula disse que o governo federal não dará dinheiro para ajudar a instituição, que enfrenta dificuldades após adquirir ativos considerados podres do Banco Master.
Celina classificou a fala como criminosa e afirmou que ela pode afetar a liquidez do BRB. Durante sabatina promovida pela CBN, O Globo e Valor Econômico, a governadora disse: “Quando o presidente da República fala, ele mexe na liquidez”. Ela também alegou haver divergência entre a posição de Lula e a orientação atribuída à Advocacia-Geral da União (AGU), que trataria da formação de um sindicato de bancos para recuperar a instituição e obter o empréstimo.
A governadora já havia levado o caso ao Supremo Tribunal Federal (STF). Em ofício encaminhado ao ministro Luiz Fux, o governo do Distrito Federal afirmou que a manifestação presidencial indicaria resistência à participação da União na solução da crise do BRB. Celina pediu que essa declaração seja considerada na análise do pedido de ajuda ao banco.
Empréstimo e balanço do BRB
Fux é o relator da ação apresentada pelo governo distrital para obrigar a União a oferecer garantia a um empréstimo de R$ 6,6 bilhões que o Distrito Federal tenta obter junto ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). O ministro recebeu o processo no início de setembro.
Na sabatina, Celina também falou sobre a demora na divulgação do balanço financeiro do BRB. Segundo ela, o documento está pronto, mas será apresentado somente depois da obtenção do empréstimo. A governadora negou que a publicação esteja vinculada ao calendário político.
Compra do Banco Master
Celina voltou a negar participação nas negociações para a compra do Banco Master pelo BRB. Mensagens entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o empresário Thiago Miranda, porém, indicariam seu envolvimento nas tratativas.
Ela disse acreditar que o ex-governador Ibaneis Rocha (MDB), de quem foi vice, sabia da operação. Segundo Celina, Ibaneis fazia defesas públicas do negócio e afirmava que a aquisição seria importante para Brasília, enquanto ela era contrária à transação. Questionada sobre a permanência ao lado do então governador, respondeu: “Se soubesse de alguma ilegalidade, teria que ter denunciado”.


