A crise financeira do Banco de Brasília (BRB) tornou-se um dos principais temas da disputa pelo governo do Distrito Federal. Os candidatos questionados em sabatinas defenderam medidas diferentes para enfrentar os efeitos das operações com o Banco Master, do ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Entre as propostas estão a divulgação das demonstrações financeiras, auditorias independentes, redução de despesas, concentração da atuação do BRB no Distrito Federal, ampliação das linhas de crédito e negociações com o governo federal, o Banco Central e o Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
O banco ainda não publicou as demonstrações financeiras referentes a 2025. A ausência do documento mantém indefinida a dimensão das perdas associadas às operações com o Master e também interfere nas discussões sobre uma tentativa de empréstimo de R$ 6,6 bilhões para reforçar a situação financeira da instituição.
Balanço e auditoria estão no centro das propostas
Ricardo Cappelli (PSB) colocou a divulgação das contas do BRB como condição para avaliar o futuro do banco. Para ele, sem os números não é possível calcular a dimensão das perdas. O candidato também defendeu a redução de despesas que considera desnecessárias, citando patrocínios a uma corrida na Paraíba e a um campeonato de vela em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos.
Cappelli afirmou ainda que, se eleito, cobrará da Polícia Federal a localização dos recursos desviados e a responsabilização dos envolvidos nas irregularidades.
Leandro Grass (PT) propôs que a publicação do balanço seja acompanhada por uma auditoria independente. A medida, segundo o candidato, permitiria definir a situação financeira da instituição antes de negociar uma solução com o Banco Central e o FGC.
Entre as alternativas apresentadas por Grass estão a captação de recursos pelo próprio BRB, a ampliação das carteiras de crédito, a utilização de fundos públicos e uma negociação com o governo federal para que novas linhas de financiamento sejam administradas pelo banco. Ele também defendeu o rastreamento dos recursos envolvidos nas irregularidades.
Crédito e atuação regional
Celina Leão (PP), governadora e candidata à reeleição, aposta na viabilização de uma operação de até R$ 6,6 bilhões junto ao FGC. A proposta busca reforçar a situação financeira do BRB e preservar a instituição.
A negociação enfrenta, entre outros obstáculos, a falta das demonstrações financeiras de 2025. Em agosto, o FGC afirmou que o balanço é essencial para avaliar a situação econômico-financeira do banco e analisar a operação. Celina disse que a divulgação do documento segue critérios técnicos e afirmou que o governo busca recuperar recursos por meio de medidas judiciais. Ela também atribuiu ao governo federal parte das dificuldades para avançar no crédito e descartou trabalhar com um cenário de quebra do BRB.
Kiko Caputo (Novo) defendeu uma mudança no foco de atuação do banco. A proposta é reduzir gastos fora de Brasília e direcionar os recursos ao financiamento de pequenos e médios empresários, ao microcrédito e a programas para servidores endividados. O candidato afirmou que uma eventual liquidação do BRB provocaria efeitos de longo prazo sobre a economia do Distrito Federal.
Paula Belmonte (PSDB) também defendeu a concentração das atividades no Distrito Federal, com prioridade para empresas e para a economia local. A candidata criticou a expansão do banco para outros estados e citou a existência de agências em João Pessoa. Para ela, o governo do Distrito Federal deve dialogar com o governo federal em busca de uma saída para a crise, independentemente das divergências políticas entre as administrações.
Disputa sobre a compra do Master
Belmonte responsabilizou politicamente as atuais gestões do Distrito Federal pela tentativa de aquisição do Master e afirmou que havia alertado para os riscos da operação.
Em agosto de 2025, a Câmara Legislativa aprovou, por 14 votos a 7, autorização para que o BRB adquirisse 49% das ações ordinárias e 100% das ações preferenciais do Master. A operação dependia de autorização do Banco Central, que rejeitou a aquisição em setembro daquele ano.
José Roberto Arruda (PSD) também participou das sabatinas, mas deixou a disputa depois que o Tribunal Superior Eleitoral rejeitou, na quinta-feira (24), por 5 votos a 2, o registro de sua candidatura. O ex-governador anunciou que não recorreria da decisão.


