CEILÂNDIA — O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o governo federal não pretende repassar recursos para socorrer o Banco de Brasília (BRB), em meio à crise financeira da instituição e às negociações para reforçar seu capital. Durante o ato “O Brasil pronto pra mais”, realizado na noite desta quarta-feira (16), ele atribuiu a situação a uma relação entre o governador Ibaneis Rocha e Daniel Vorcaro, do Banco Master.
Ao lado de Leandro Grass (PT), candidato do partido ao governo do Distrito Federal, Lula criticou a governadora Celina Leão (PP). O presidente disse que ela tenta transferir ao governo federal a responsabilidade pelos problemas do banco. Ele afirmou que o BRB comprou títulos inexistentes no valor de R$ 12 bilhões.
Lula também declarou que o Bolsa Família não deixará de ser pago, mas descartou o uso de recursos federais para o BRB. As operações entre as duas instituições estão relacionadas a Daniel Vorcaro, que está preso no âmbito da Operação da Polícia Federal Compliance Zero, sob suspeita de fraudes bilionárias.
Em nota publicada em rede social, Celina Leão afirmou que Lula “quer quebrar o BRB”. A governadora, que é candidata à reeleição, disse que o presidente teria ajudado os Correios pela segunda vez, mas se recusaria a dar aval para um empréstimo ao Governo do Distrito Federal.
Negociações para reforçar o banco
Na terça-feira (15), o Governo do Distrito Federal criou uma comissão especial para atuar na recuperação de ativos e na negociação de acordos destinados ao ressarcimento de danos relacionados ao BRB. A estrutura funcionará na Procuradoria-Geral do Distrito Federal, com caráter técnico, propositivo e temporário.
Entre as atribuições da comissão estão identificar valores, bens e direitos que possam ser recuperados pelo banco, calcular os danos e conduzir negociações para a restituição de recursos. O decreto que criou o grupo foi assinado pela governadora e publicado no Diário Oficial do Distrito Federal.
As negociações sobre uma solução financeira para o BRB foram mantidas abertas em audiência de mediação conduzida em 13 de agosto pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, relator da Ação Cível Originária (ACO) 3.755. Participaram representantes do Distrito Federal, da União, do BRB, do Fundo Garantidor de Créditos, do Banco Central, do Ministério Público Federal, do Banco do Brasil e de instituições financeiras.
A proposta em discussão prevê um empréstimo do Fundo Garantidor de Créditos para reforçar o capital do banco público. As garantias e contragarantias envolveriam, entre outros mecanismos, recursos do Fundo de Participação dos Estados e do Fundo de Participação dos Municípios, sem aval da União.
Um dos obstáculos é a falta de informações necessárias para analisar o plano de negócios do BRB e a segurança das garantias oferecidas aos bancos em caso de inadimplência. Segundo documento divulgado por parlamentares de oposição do Distrito Federal em 11 de agosto, o governo formalizou pedido de contratação de R$ 6,6 bilhões, mas não apresentou demonstrações financeiras auditadas referentes a 2025 e ao primeiro semestre de 2026.
O Fundo Garantidor de Créditos informou que, sem esses dados, não consegue concluir a análise nem atestar se o valor solicitado é suficiente para assegurar a viabilidade econômico-financeira da operação.


