A crise interna no Supremo Tribunal Federal (STF) é apontada como um possível fator decisivo para a eleição presidencial de outubro. A avaliação considera que o conflito entre os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça levou a Corte a uma situação sem precedentes e pode influenciar a disputa entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
O embate ocorre em meio às revelações sobre supostas ligações entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, acusado de envolvimento em uma fraude bancária bilionária. O ministro também enfrenta questionamentos relacionados a um contrato de R$ 130 milhões entre o banco e o escritório de advocacia de sua esposa. Moraes negou ter atuado em favor da instituição financeira.
A exposição ampliou o desgaste de Moraes, que teve papel central nas investigações contra Jair Bolsonaro (PL) e aliados do ex-presidente. Ele foi relator do processo que resultou na condenação de Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado, em setembro de 2025.
Reflexos na disputa eleitoral
A associação entre Moraes e o governo petista pode prejudicar Lula, embora o presidente não seja acusado de envolvimento nas irregularidades investigadas. Essa percepção é explorada pela campanha de Flávio Bolsonaro. Em declaração a apoiadores, o senador afirmou: “Um voto em Lula é um voto em Moraes.”
O senador, porém, também foi citado no caso Banco Master. Em maio, tornou-se público que ele havia solicitado recursos a Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. As investigações indicam que o ex-banqueiro teria repassado aproximadamente R$ 61 milhões ao projeto.
Flávio nega qualquer ilegalidade e diz que apenas buscou patrocínio privado para a produção. Depois, classificou as apurações sobre o financiamento como uma forma de “perseguição estatal” contra ele e sua família.
Mesmo com as citações no caso, Flávio reduziu a distância para Lula nas pesquisas. No levantamento Quaest divulgado nesta segunda-feira (14), Lula aparece com 36% das intenções de voto no primeiro turno, ante 31% de Flávio. Na rodada anterior, os percentuais eram de 36% e 29%.
Em uma simulação de segundo turno, Flávio registra 42%, contra 40% de Lula. O resultado configura empate técnico, considerando a margem de erro de dois pontos percentuais. Na rodada anterior, os dois tinham 41%.
A crise também é apresentada como um abalo na credibilidade do STF, que havia sido elogiado no exterior por sua atuação após a tentativa de golpe ocorrida depois das eleições de 2022. A direita acusa Moraes de perseguir conservadores e restringir a liberdade de expressão, enquanto a esquerda atribui a Mendonça, indicado por Bolsonaro e visto como aliado do ex-presidente, medidas favoráveis a Flávio. O conflito ampliou as cobranças por uma reforma do Judiciário e levou o tribunal à beira de um colapso institucional, segundo a avaliação divulgada.


