Mais de 96% do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) já foi registrado como recebido pelas candidaturas em 2026, e 65% dos recursos declarados foram destinados a candidatos a deputado federal e senador. A parcela é superior aos 59% registrados em 2022.
Até agora, as candidaturas receberam R$ 4,78 bilhões dos R$ 4,96 bilhões disponíveis, o equivalente a 96,4% do total. O valor nominal do fundo é o mesmo nas duas eleições.
Distribuição por cargo
A maior concentração está entre os candidatos a deputado federal. A fatia destinada à Câmara dos Deputados passou de 53,4% em 2022 para 56,4% em 2026. As campanhas ao Senado receberam R$ 406 milhões, valor 53% superior ao destinado ao cargo em 2022.
A diferença entre os pleitos também está relacionada ao número de cadeiras em disputa: são 54 das 81 vagas do Senado em 2026, enquanto 27 estavam em disputa em 2022. Somados, deputado federal e senador reúnem 65% dos recursos declarados neste ano.
Na corrida presidencial, foram registrados R$ 116 milhões em 2026, contra R$ 222 milhões quatro anos antes. A parcela destinada às campanhas para governador recuou de 11,6% em 2022 para 9% em 2026. Entre deputados estaduais e distritais, a fatia passou de 25% para 23,7%.
Entre os candidatos ao Senado, Simone Tebet (PSB-SP) declarou R$ 6,6 milhões, enquanto André do Prado (PL-SP) e Geraldo Rufino (Podemos-SP) registraram R$ 6 milhões cada. Carlos Portinho (PL-RJ) aparece com R$ 5,25 milhões.
Considerando todos os cargos, Lula (PT) declarou o maior valor recebido do FEFC, com R$ 65 milhões. Flávio Bolsonaro (PL) aparece em seguida, com R$ 47 milhões.
Motivos políticos
Os principais partidos decidiram elevar a transferência do fundo para candidatos ao Congresso Nacional. Entre os fatores citados estão a cláusula de desempenho partidário e a disputa pelo controle do Senado.
As legendas que não atingirem um desempenho mínimo na eleição para a Câmara dos Deputados, definido pela chamada cláusula de barreira, perdem acesso ao Fundo Partidário e à propaganda partidária e eleitoral gratuita. O PL e aliados de Jair Bolsonaro estabeleceram como prioridade ampliar a bancada no Senado e defendem o impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal. Partidos de esquerda também aumentaram o peso dado à disputa pela Casa.
Formado por recursos públicos, o FEFC é a principal fonte de financiamento das campanhas. A divisão entre os partidos segue critérios previstos em lei, que consideram, entre outros fatores, a representação das legendas no Congresso Nacional. Cada partido define como distribuir o dinheiro entre seus candidatos, respeitando as regras eleitorais.


