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Política

Dados da gestão de Tarcísio divergem de promessas em educação, segurança e concessões

Entrevista reuniu metas não cumpridas, déficits policiais, presídios superlotados e obras previstas para depois de 2030.

Sabatina expõe contradições entre discurso de Tarcísio e dados da gestão em SP

A entrevista do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), expôs diferenças entre as promessas feitas em 2022, os resultados apresentados pela administração e as novas metas anunciadas para um eventual segundo mandato. Educação, segurança pública, sistema prisional, transportes, habitação, saneamento e saúde foram alguns dos temas abordados na sabatina conduzida por Alan Severiano na terça-feira (15).

Na educação, a principal meta revista foi a expansão do ensino integral. Durante a campanha de 2022, Tarcísio havia prometido que 60% dos estudantes da rede estadual estariam matriculados nessa modalidade. Ao fim de quase quatro anos de governo, pouco mais de 30% estavam no ensino integral. Na entrevista, o governador reconheceu que não cumprirá o objetivo e passou a defender a marca de 40% em um possível segundo mandato.

Indicadores educacionais e efetivo policial

Os resultados do Ideb também avançaram sem atingir as metas definidas. Nos anos finais do ensino fundamental, o índice subiu de 5,1 em 2023 para 5,2 em 2025, abaixo do objetivo de 5,8. No ensino médio, passou de 4,2 para 4,3, enquanto a meta era 5,1.

Tarcísio citou o Pisa para sustentar a avaliação de sua política educacional. O exame avalia estudantes de 15 anos em âmbito internacional e não foi criado para medir isoladamente uma administração estadual. Além disso, a edição de 2022 foi realizada antes do início do atual governo.

O governador também admitiu a necessidade de rever o uso de plataformas digitais na rede estadual. A mudança ocorre depois da ampliação desse modelo durante a gestão e envolve problemas relacionados ao volume de exercícios e acessos, além dos efeitos sobre a autonomia dos professores.

Na segurança pública, Tarcísio prometeu manter concursos para as polícias Civil e Militar caso seja reeleito. Os dados disponíveis, porém, indicam que os quadros permanecem abaixo do previsto. São Paulo tinha, em 2025, 82.250 policiais militares para um efetivo previsto de 93.801, o equivalente a 87,7% do total planejado. Na Polícia Civil, eram 19.420 profissionais para 24.332 postos, ou 79,8% das vagas previstas.

Documentos do Tribunal de Contas do Estado também registram déficits nas estruturas policiais e recomendam medidas para recompor os efetivos.

Presídios, obras e concessões

Na área penitenciária, o governador anunciou a intenção de construir dez novos presídios e classificou o sistema como bem controlado. Informações reunidas pelo Tribunal de Contas mostram, contudo, que 74,7% das unidades examinadas funcionavam acima da capacidade. Em 68,13% delas não havia bloqueadores de sinais de celulares, e 72% estavam sem Auto de Vistoria do Corpo de Bombeiros vigente.

Os cronogramas de transporte ferroviário também ultrapassam parte do horizonte apresentado para 2030. A extensão da Linha 2-Verde até Guarulhos e a ampliação da Linha 13-Jade até Bonsucesso estão previstas para 2032. A extensão da Linha 12-Safira até Suzano tem conclusão estimada para 2031.

Durante a entrevista, Tarcísio reconheceu que a concentração da operação ferroviária em poucas empresas pode gerar problemas e admitiu a possibilidade de revisar contratos. Também defendeu a permanência de determinadas operações sob controle público do Metrô.

A CPTM reassumiu temporariamente a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade após problemas ocorridos poucos dias depois da transferência para a concessionária Trivia Trens. O Ministério Público de São Paulo abriu investigação, e o governador chegou a ameaçar anular a concessão.

A capacidade de fiscalização também aparece como uma dificuldade. A Artesp, responsável pela regulação do transporte rodoviário, tem estrutura reduzida diante da dimensão dos serviços regulados. O levantamento aponta ainda dificuldades para transformar autuações em multas efetivamente cobradas. O governo atribui parte desse problema à morosidade judicial.

Moradia, saneamento e saúde

No Casa Paulista, o governo contabiliza unidades habitacionais, subsídios e cartas de crédito entre os atendimentos. Essas modalidades podem facilitar o acesso à casa própria, mas não equivalem à construção direta de imóveis pelo Estado. A comunicação oficial registra mais de 80 mil famílias atendidas, enquanto a promessa de campanha previa 200 mil moradias até o final de 2026.

No saneamento, Tarcísio citou que Guarulhos tinha somente 2% do esgoto tratado. Esse percentual, porém, corresponde a 2017. A Sabesp assumiu a operação no município em 2019. Em dezembro de 2023, o tratamento estava em aproximadamente 18%; em 2025, chegou a cerca de 40%; e os dados para 2026 apontam 48%. A coleta subiu de 91% para 96% entre dezembro de 2023 e dezembro de 2025.

Na saúde, o governador destacou o aumento das cirurgias, de aproximadamente 750 mil para 1,5 milhão. São Paulo registrou volume recorde de cirurgias eletivas em 2025, mas esse crescimento não permite concluir, sozinho, que a demanda reprimida tenha caído na mesma proporção.

Uma auditoria do Tribunal de Contas da União sobre dados de 2023 a 2025 identificou dificuldades no monitoramento e na integração dos registros. O órgão apontou ainda que somente uma parcela reduzida das cirurgias estava registrada na Rede Nacional de Dados em Saúde, o que limita a avaliação das filas.

A comparação entre metas, resultados e cronogramas passa a integrar o conjunto de informações disponível ao eleitor durante a campanha pela reeleição. Os dados mostram avanços em alguns indicadores, mas também metas abandonadas ou reduzidas, efetivos incompletos, unidades prisionais acima da capacidade, obras posteriores a 2030 e mudanças de posição sobre concessões e plataformas educacionais.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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