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Política

Democratas pedem explicações a Rubio sobre possível interferência no Brasil

Carta assinada por Bernie Sanders e 30 deputados questiona ações do governo Trump antes da eleição presidencial de outubro de 2026.

Democratas pedem explicações a Rubio sobre possível interferência no Brasil

Um grupo de 31 congressistas democratas dos Estados Unidos enviou ao secretário de Estado, Marco Rubio, uma carta em que cobra explicações sobre medidas do governo Donald Trump que, na avaliação dos parlamentares, podem interferir nas eleições brasileiras de outubro de 2026 e favorecer o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).

O documento foi encaminhado nesta quinta-feira (24) e é assinado por 30 integrantes da Câmara dos Representantes e pelo senador Bernie Sanders. Os congressistas descrevem as ações americanas como uma campanha de pressão política, econômica e diplomática contra o Brasil e afirmam que elas fazem parte de um padrão mais amplo de interferência em processos eleitorais da América Latina.

Medidas questionadas

Entre os episódios citados estão as tarifas impostas ao Brasil no ano passado, que Donald Trump relacionou, entre outros fatores, ao processo contra Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. A carta também menciona novas tarifas decretadas em julho e a tentativa de enviar ao Brasil dois funcionários do Departamento de Estado para tratar da integridade do sistema eleitoral.

O governo Luiz Inácio Lula da Silva negou os vistos dos integrantes da delegação americana. Autoridades brasileiras afirmaram que a visita poderia ser usada para questionar a segurança do sistema de votação. O Departamento de Estado, por sua vez, negou intenção de interferir e classificou a viagem como uma missão de rotina.

Os congressistas também questionam as sanções impostas a Alexandre de Moraes, a classificação das facções criminosas PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras e a revogação do visto do embaixador brasileiro nos Estados Unidos. A carta afirma que essas ações poderiam ser usadas para ampliar a pressão sobre instituições brasileiras.

O documento relaciona ainda a aproximação entre Trump e Flávio Bolsonaro. O encontro entre os dois ocorreu no Salão Oval, enquanto o senador tentava enfrentar as repercussões de um escândalo político interno. Segundo os parlamentares, a reunião demonstrou a disposição do governo americano de atuar diretamente na eleição brasileira.

Durante o encontro, conforme a carta, Flávio Bolsonaro pediu que os Estados Unidos classificassem duas facções criminosas brasileiras como organizações terroristas estrangeiras. Dois dias depois, o Departamento de Estado anunciou a classificação. O governo brasileiro havia defendido a ampliação da cooperação entre os dois países contra o crime organizado transnacional e manifestou preocupação com a possibilidade de a medida servir de justificativa para ações contra instituições brasileiras.

Comparação com outros países

Os congressistas afirmam que a atuação do governo Trump no Brasil repete interferências que, segundo eles, ocorreram nas eleições legislativas de meio de mandato da Argentina e nas eleições presidenciais de Honduras e da Colômbia. A carta também recorda que, em 17 de junho, 11 democratas haviam enviado uma manifestação semelhante sobre a Colômbia.

Naquele caso, os parlamentares disseram que Trump tentava favorecer Abelardo de la Espriella. Quatro dias depois, ele venceu o segundo turno com 49,7% dos votos, contra 48,7% de Iván Cepeda.

O presidente Lula também acusa Trump de tentar interferir nas eleições brasileiras. Em discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU nesta semana, afirmou: "Não permitiremos que os inimigos da democracia, internos ou externos, ajam contra a vontade do povo".

A carta compara a postura atual dos Estados Unidos com a adotada durante a eleição presidencial anterior no Brasil. Na ocasião, de acordo com os democratas, integrantes do Congresso e a Casa Branca disseram que se oporiam a qualquer tentativa de impedir ou reverter a vontade dos eleitores. Após a divulgação do resultado, os Estados Unidos reconheceram a vitória de Lula e apoiaram os esforços brasileiros depois dos ataques de 8 de janeiro de 2023 às instituições democráticas.

Perguntas ao secretário de Estado

Ao final, os congressistas apresentam sete perguntas a Marco Rubio. Eles pedem a metodologia usada pelo Departamento de Estado para avaliar propostas relacionadas a sanções, os critérios jurídicos e probatórios aplicados contra Alexandre de Moraes e a justificativa para classificar PCC e CV como organizações terroristas estrangeiras.

Também questionam como os Estados Unidos conciliam a promoção da democracia e dos direitos humanos com a atuação junto a parceiros regionais, por que o visto do embaixador brasileiro foi revogado e se o governo americano pretende respeitar o processo eleitoral brasileiro.

As duas últimas perguntas tratam do reconhecimento do resultado das eleições democráticas de 2026 e da manutenção de relações diplomáticas normais com qualquer candidato escolhido legitimamente pelo eleitorado. O prazo solicitado para as respostas é 1º de outubro de 2026.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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