A imagem que mostra Flávio Bolsonaro com uma espingarda e um elefante morto ao fundo foi criada com inteligência artificial e editada para parecer a capa da reportagem “O safári dos investigados”, da revista piauí. A associação sugere, sem comprovação, que o senador e candidato à Presidência da República teria abatido o animal.
A fotografia verdadeira usada na montagem registra Flávio Bolsonaro ao lado do advogado Willer Tomaz, do empresário Carlos Alberto de Sá e do senador Weverton Rocha (PDT-MA). O grupo esteve em um safári na África do Sul, em março de 2025. Na imagem original, porém, não há elefante, e a reportagem não afirma que qualquer um dos participantes tenha caçado ou abatido animais.
Duas ferramentas apontaram que a imagem é artificial. A Hive Moderation indicou probabilidade de 99,9% de geração por inteligência artificial. Já a SynthID identificou que o material foi produzido com a própria ferramenta de IA do Google. A localização da foto original foi possível por meio de uma busca reversa no Google Lens.
A montagem também circulou acompanhada de mensagens que exploravam a indignação contra a violência de animais. Em uma delas, a legenda dizia “Flávio assassino de animais”. O ator José de Abreu, que tinha cerca de 554 mil seguidores, compartilhou o conteúdo no X e escreveu: “Flávio matou um elefante ao fazer Safari com bandidos. Quem mata um elefante? Só doentes. Poderão matar seres humanos com a mesma tranquilidade”. Antes de ser removida, a publicação alcançou ao menos 284 mil visualizações.
Até 22 de setembro, publicações desinformativas que continuavam ativas acumulavam ao menos 9 mil visualizações. Os perfis analisados no X e no Facebook tinham poucas informações pessoais e, em geral, divulgavam conteúdos políticos críticos à direita e a Flávio Bolsonaro. Juntos, esses perfis reuniam cerca de 23 mil seguidores.
Um dos responsáveis por páginas que compartilharam a imagem respondeu ao contato e afirmou: “Depois que tivemos conhecimento que a imagem se tratava de IA foi removida imediatamente”. Não houve resposta de José de Abreu, das assessorias de imprensa de Flávio Bolsonaro e Weverton Rocha nem do Departamento de Florestas, Pesca e Meio Ambiente da África do Sul sobre eventual licença de caça a elefante em nome do senador.
A estratégia de convencimento combinou a imagem artificial com o layout de uma reportagem verdadeira e com um fato real: a viagem de Flávio Bolsonaro para um safári na África do Sul. A montagem procurou, assim, dar aparência de autenticidade a uma cena que não aparece na fotografia original e não é sustentada pela reportagem.


