Não há registros de que Luiz Inácio Lula da Silva tenha participado de uma celebração no Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida enquanto presidente ou candidato à Presidência. A ausência se mantém na atual campanha, embora referências religiosas tenham passado a integrar sua estratégia eleitoral.
Distância em relação ao santuário
Em 2022, quando disputava a eleição presidencial, Lula decidiu não ir à basílica no Dia de Nossa Senhora Aparecida, celebrado em 12 de outubro. A campanha informou que o candidato não queria transformar a celebração em palanque eleitoral. Naquele período, Lula também afirmou que não pretendia fazer da religião o tema central da disputa.
“Eu nunca usei religião na minha campanha, eu não vou participar disso”, declarou. O então candidato disse ainda que não queria disputar o voto religioso e que não fazia parte de sua cultura política instituir uma guerra santa.
Naquele 12 de outubro, Lula cumpriu agendas políticas no Rio de Janeiro e em Salvador. Jair Bolsonaro, presidente e candidato à reeleição, esteve no Santuário de Aparecida. A visita teve aplausos, vaias e tumultos no entorno da basílica.
Lula foi candidato à Presidência oito vezes, considerando a eleição deste ano, e venceu três disputas: 2002, 2006 e 2022. Com os mandatos consecutivos de 2003 a 2010 e o atual mandato, iniciado em 2023, exerce a Presidência da República pela terceira vez. Em nenhuma dessas ocasiões, foi visto publicamente no santuário.
Religião no debate eleitoral
A decisão de evitar uma visita a Aparecida não impediu que Lula abordasse temas religiosos durante a campanha de 2022. O candidato incluiu a defesa da liberdade religiosa em discursos e participou de eventos com públicos religiosos.
Dilma Rousseff, aliada de Lula e ex-presidente (2011-2016), esteve no Santuário Nacional de Aparecida durante a campanha presidencial de 2010. Em outubro daquele ano, participou de uma missa e afirmou que era sua primeira visita ao local. Dilma declarou ter devoção especial por Nossa Senhora Aparecida e disse que a decisão estava ligada a questões pessoais.
Neste ano, o santuário continua fora da agenda de Lula. O local recebe cerca de 10 milhões a 12 milhões de visitantes por ano, e o presidente não voltou a se manifestar publicamente sobre uma eventual ida.
Ao mesmo tempo, a campanha passou a usar referências religiosas em meio à controvérsia envolvendo Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora. Em 29 de setembro, uma propaganda passou a exibir a imagem de Nossa Senhora Aparecida ao som de “Gente”, de Caetano Veloso.
Em 28 de setembro, durante um ato em Belém (PA), Lula recebeu uma imagem da santa e a ergueu diante do público. Na ocasião, afirmou que, enquanto fosse presidente, ninguém iria desrespeitar Nossa Senhora Aparecida e defendeu o respeito a todas as religiões, incluindo as de matriz africana.
A primeira-dama Janja também participou do debate. No mesmo ato, disse que Lula queria o fim das bets, enquanto Flávio Bolsonaro queria “o fim da padroeira do Brasil”. O candidato do PL negou repetidamente essa informação e a chamou de maior fake news da campanha.
No começo de setembro, antes da controvérsia, Lula havia dito em um encontro com lideranças protestantes no Palácio do Planalto que a Igreja Católica crescia menos do que a evangélica por não acabar com o celibato. Dom Jaime Spengler, presidente da CNBB, afirmou que a declaração causou desconforto no segmento religioso.


