O candidato à Presidência da República pelo Avante, Augusto Cury, afirmou que a democracia se aproxima de um colapso e criticou o que classificou como excesso de poder do Supremo Tribunal Federal (STF) e da Justiça Eleitoral. As declarações ocorreram após o cancelamento do debate presidencial da TV Globo, previsto para a noite desta quinta-feira (1º), antes do primeiro turno, marcado para o próximo domingo (4).
Cury responsabilizou Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, líderes das pesquisas, pela ausência no confronto. Flávio anunciou que não iria aos estúdios, enquanto Lula havia recusado anteriormente o convite e escolhido participar de uma entrevista simultânea ao podcast Flow.
O candidato afirmou que os dois adversários priorizaram a disputa pelo cargo em vez do debate público. “Foi uma frustração tremenda. Vocês se acovardaram”, disse, dirigindo-se a Lula e Flávio.
Alterações no formato
O programa também passou por mudanças determinadas pela Justiça. Horas antes do horário previsto para a transmissão, o ministro do STF Gilmar Mendes ordenou a inclusão de Renan Santos, do Missão, entre os participantes. A composição inicialmente prevista reunia Lula, Flávio Bolsonaro, Ronaldo Caiado, do PSD, Augusto Cury e Romeu Zema, do Novo.
Com a desistência dos dois candidatos que lideravam as pesquisas e a alteração determinada judicialmente, a emissora decidiu suspender o debate. Para Cury, a sequência de decisões e ausências revelou uma instabilidade institucional. “O STF ganhou um protagonismo desproporcional. Isso beira um colapso da democracia”, afirmou.
Cury também voltou a prometer que abrirá mão da remuneração caso seja eleito. Ele comparou sua situação financeira às estruturas públicas usadas por adversários e disse enfrentar um suposto bloqueio à divulgação de suas propostas nas redes sociais.
O candidato pediu uma auditoria nacional sobre o funcionamento do algoritmo e criticou o ministro do STF Flávio Dino por, segundo ele, dificultar uma investigação relacionada ao celular do Volcano. Cury declarou ainda que, no final de agosto, foi a pessoa que mais ganhou seguidores no mundo e citou dados da Eurasia para afirmar que 60% da população não sabia que ele era candidato.


