O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu uma reforma política, o fim do fundo eleitoral e mudanças no processo de escolha dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). As declarações foram dadas durante entrevista exibida neste domingo (27).
Para Lula, alterações nas regras partidárias e no financiamento das campanhas poderiam diminuir a polarização política no país. O presidente afirmou que já apoiou o fundo partidário e o fundo eleitoral, mas passou a rejeitar os dois mecanismos por considerar que eles contribuíram para a deterioração da política. Também criticou o orçamento secreto.
Lula sustentou que o fundo eleitoral, formado por recursos públicos destinados às campanhas, deveria deixar de existir. Na avaliação dele, uma reforma política poderia recuperar o que chamou de uma política mais saudável para a população.
Investigação envolvendo o filho
Questionado sobre mensagens e ligações de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, incluídas em uma investigação sobre supostos pagamentos feitos pela lobista Roberta Luchsinger, o presidente negou ter interferido no trabalho das autoridades.
Lula afirmou que o filho está à disposição da Justiça e que não tomou medidas para protegê-lo. Disse acreditar na inocência de Fábio Luís Lula da Silva e também na de seu ex-colaborador Marcola, mas defendeu que os dois permaneçam submetidos à investigação. Ao comentar Roberta Luchsinger, voltou a classificá-la como “picareta”.
“Meu filho está à disposição da Justiça e eu não fiz um único gesto”, afirmou Lula.
Mudança na escolha de ministros
Em relação ao STF, o presidente considerou vulnerável o critério atual de indicação, que permite ao chefe do Executivo escolher alguém de sua confiança ou uma pessoa conhecida no meio jurídico.
Como alternativa, Lula sugeriu a criação de um conselho com representantes da sociedade para participar da escolha dos ministros. Ele afirmou que deseja alterar o modelo por entender que o processo atual concentra a decisão em uma indicação presidencial.


