BRASÍLIA — A Marcha pelo Clima reuniu neste domingo (20), no Eixão do Lazer, em Brasília (DF), ativistas, movimentos sociais, servidores públicos e candidaturas distritais e federais. O ato ocorreu na altura da 102 Sul, começou às 10h e terminou por volta das 13h, depois que os participantes percorreram o Eixão por cerca de 15 minutos e interromperam o trajeto por causa do calor, com temperatura de 29ºC.
A manifestação tratou de mudanças climáticas, modelo econômico e eleições. Os participantes defenderam que a pauta ambiental seja incorporada ao debate eleitoral e entoaram críticas à concentração de riqueza e aos bilionários.
Ian Coelho, do Jovens pelo Clima, organização que mobilizou a marcha, afirmou que a mobilização ocorreu em um dia quente e associou o cenário à atuação do El Niño. Ele disse que o movimento também fez um chamado contra o capitalismo, aos pecuaristas e pela construção de outro modelo de sociedade.
Lúcia Mendes, do Fórum de Defesa das Águas, do Clima e Meio Ambiente do Distrito Federal, afirmou que o planeta está próximo de uma crise climática de grandes proporções. A entidade liderou a mobilização pela proteção da Serrinha do Paranoá, área incluída pelo Governo do Distrito Federal entre imóveis públicos cogitados para capitalizar o Banco de Brasília e cobrir prejuízos associados a negociações com o Banco Master.
Mendes comparou a crise climática a uma nova pandemia e defendeu que o sistema econômico deixe de priorizar o acúmulo de riqueza. A relação entre clima e eleições também apareceu em sua avaliação sobre a atenção internacional ao processo eleitoral brasileiro.
Cerrado e políticas ambientais
A Campanha Vote Pelo Cerrado participou do ato por meio da Rede Cerrado, do Instituto Sociedade População e Natureza, da Funatura e da Campanha Nacional em Defesa do Cerrado. As organizações cobraram de candidatos e candidatas do Distrito Federal compromissos com a proteção do bioma.
Ingrid Silveira, secretária executiva da Rede Cerrado, afirmou que as reivindicações incluem questões hídricas, combate ao desmatamento e garantia de direitos.
Joana Tanure, servidora do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, relatou alterações na estrutura da pasta durante a gestão de Jair Bolsonaro. Segundo ela, a secretaria do clima foi extinta no segundo dia da administração, enquanto servidores ficaram sem computador e sem atividades. Tanure classificou o período como perseguição institucional e disse ter sido difícil trabalhar com a pauta climática no governo passado.
Bruno Ferreira Farias, aprovado no concurso do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade de 2024, representou a comissão que reivindica a convocação dos novos servidores. Ele defendeu a eleição de um Congresso Nacional de esquerda além da escolha do presidente.
Claudia Trindade, especialista em meio ambiente com 33 anos de carreira e passagens pelo ICMBio e pelo Ibama, apontou a falta de servidores nas unidades de conservação. Ela integra a Associação Nacional dos Servidores da Carreira de Especialista em Meio Ambiente e a Asibama-DF.
Matheus Adugo, da Associação Indígena Areme Eda, do povo Bororo, defendeu a retomada da cosmovisão dos antepassados indígenas e relacionou o voto à pauta climática. Para ele, a falta de atenção ao tema pode deixar, no futuro, poeira, cinza, queimadas e fumaça.
Maktus Fabiano, militante do Juntos e diretor do Diretório Central dos Estudantes da Universidade de Brasília, afirmou que a questão climática não deve ser deixada de lado nas eleições. Ele relacionou o chamado “super El Niño” à maior visibilidade dos efeitos das mudanças climáticas e defendeu uma revolução ecossocialista e a mobilização das ruas.
Mila Monteiro, ativista da Sociedade Vegetariana Brasileira, associou a pecuária ao desmatamento e defendeu a redução do consumo de produtos de origem animal como forma de preservar as florestas.
Durante o ato, apoiadores de candidaturas de direita também passaram pelo local. Um bloco de apoiadores de Flávio Bolsonaro esteve na concentração inicial, e houve troca de provocações entre os grupos. Candidatos a deputado federal, candidatos distritais, o Instituto Arayara, o Movimento de Atingidos por Barragens, o Diretório Central Acadêmico da UnDF e o bloco de Maracatu do Boiadeiro Boi Brilhante também participaram da atividade.
A Marcha pelo Clima ocorreu em 16 cidades brasileiras durante o final de semana. A mobilização reuniu organizações, movimentos populares e trabalhadores em defesa da justiça climática, do meio ambiente, da vida e dos povos, além de buscar inserir o tema ambiental no debate eleitoral.


