A Polícia Federal investiga a circulação de recursos entre empresas ligadas à produção do filme Dark Horse e o Instituto Conhecer Brasil (ICB), organização sob suspeita de envolvimento em desvios de emendas parlamentares. A apuração inclui uma transferência de R$ 1 milhão do ICB para a Go7 Assessoria Produção e Marketing Cultural e repasses feitos por empresas relacionadas à produtora GoUp Entertainment.
A movimentação da Go7 ocorreu em uma única transferência, em data não especificada entre 1º de dezembro de 2025 e 2 de fevereiro de 2026. A empresa foi criada por Karina Gama em 2005. Embora não apareça formalmente no registro da Agência Nacional do Cinema (Ancine) como produtora de Dark Horse, a Go7 é apresentada como parte da joint venture que deu origem à GoUp, ao lado da americana Uptone Picture.
A PF também identificou operações envolvendo outras empresas. O ICB transferiu R$ 700 mil para a Dinâmica Editora e o Instituto Super Poder Educacional. No mesmo contexto, a NTT Brasil, vinculada ao grupo empresarial dessas entidades, repassou R$ 750 mil à GoUp Entertainment.
A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que autorizou a operação Make Up, cita os dados financeiros. Deflagrada nesta quinta-feira, 10, a ação apura supostos desvios de emendas parlamentares e cumpriu 49 mandados de busca e apreensão. Entre os alvos está o deputado federal Mário Frias (PL), que destinou emendas de R$ 2 milhões ao ICB.
A GoUp movimentou R$ 19.033.071,00 entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025. Nesse intervalo, recebeu R$ 750 mil da NTT Brasil e R$ 645,4 mil do próprio Mário Frias. As filmagens da cinebiografia ocorreram entre outubro e dezembro de 2025.
A polícia afirma que os elementos reunidos ainda não comprovam uma ligação direta entre os recursos públicos recebidos pelo ICB e os repasses indiretos à produtora. Para a investigação, porém, a proximidade no tempo entre as operações é relevante. Uma das hipóteses examinadas é que parte do dinheiro tenha financiado o filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Além da Go7, do ICB e da GoUp, Karina Gama foi alvo da operação. A empresa já havia sido registrada na Ancine e, conforme relato atribuído a Karina, foi usada para protocolar o projeto de documentário Atletas de Cristo, que não foi realizado.



