O Partido dos Trabalhadores (PT) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de um inquérito conduzido pela Polícia Federal para apurar uma possível interferência estrangeira nas eleições de 2026. A solicitação foi protocolada nesta quarta-feira (23) e envolve anúncios pagos no exterior favoráveis a Flávio Bolsonaro (PL), a plataforma Polymarket e a eventual utilização de recursos estrangeiros.
A petição afirma que, entre 18 e 21 de setembro, perfis localizados fora do Brasil publicaram no X, antigo Twitter, conteúdos pagos relacionados à disputa presidencial. Parte das publicações destacou a alta de Flávio Bolsonaro nas previsões da Polymarket. O PT quer identificar os responsáveis pela contratação e pelo financiamento dos anúncios, além de verificar se alguma candidatura foi beneficiada.
O partido ressalva que, neste momento, não atribui os pagamentos à Polymarket nem à campanha de Flávio Bolsonaro. A investigação solicitada também não pressupõe que o STF tenha reconhecido a existência de interferência estrangeira ou de irregularidades eleitorais. O objetivo do pedido é apurar as suspeitas apresentadas.
Medidas solicitadas
Além da preservação de registros digitais e da análise das contas de campanha, o PT pede que o STF avalie, em apartado sigiloso, a realização de buscas e apreensões no comitê eleitoral de Flávio Bolsonaro e na sede nacional do Partido Liberal. Essas medidas seriam consideradas caso houvesse representação policial ou requerimento do Ministério Público.
A petição solicita ainda a possibilidade de afastamento dos sigilos bancário, fiscal e telemático de pessoas e entidades relacionadas às operações investigadas. O partido também menciona a Rockbridge Network e pede cooperação jurídica internacional para obter registros sobre a organização, a Polymarket e as contas de origem de eventuais pagamentos.
Entre os pontos que a apuração deverá esclarecer estão quem financiou as ações, qual instrumento foi utilizado, qual candidatura teria sido beneficiada e se houve recursos ou serviços não registrados na contabilidade eleitoral. O PT sugere a obtenção de dados junto ao X, à Polymarket, à Meta, à FSB Comunicação e a outros envolvidos, além de análises contábil e digital das despesas da campanha e do PL.
O pedido prevê que a Polícia Federal conduza a investigação e compartilhe os elementos com a Procuradoria-Geral da República e a Justiça Eleitoral.


