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Política

Moscou acompanha eleição brasileira e avalia impacto no Brics

Porta-voz russo diz que o Kremlin só fará avaliações após o segundo turno, enquanto especialista aponta atenção ao futuro do Brasil no Brics.

Moscou acompanha eleição brasileira e avalia impacto no Brics

A Rússia acompanha com cautela a eleição presidencial brasileira e evita antecipar uma avaliação sobre os candidatos. Durante uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (6), o porta-voz da Presidência russa, Dmitry Peskov, afirmou que Moscou aguardará o encerramento do processo eleitoral, com a realização do segundo turno.

Questionado sobre a inclinação favorável aos Estados Unidos atribuída ao candidato Flávio Bolsonaro, Peskov disse que as eleições ainda não foram concluídas. “Vamos esperar os resultados e então fazer nossas avaliações”, afirmou o porta-voz do Kremlin.

A disputa será decidida entre Flávio Bolsonaro (PL) e Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 25 de outubro. Bolsonaro terminou o primeiro turno em primeiro lugar, com 47,03% dos votos válidos, correspondentes a 56.103.033 votos. Lula ficou em segundo, com 45,16%, ou 53.870.724 votos.

Para Victor Jeifets, especialista em América Latina e professor de Relações Internacionais da Universidade de São Petersburgo, a postura russa está ligada à possibilidade de uma mudança no governo brasileiro alterar a posição do país em temas estratégicos. Entre eles estão a relação com os Estados Unidos, o futuro do Brics e a construção de uma ordem internacional multipolar.

O especialista avalia, porém, que os interesses econômicos e comerciais entre Rússia e Brasil limitam a possibilidade de mudanças profundas. Na análise de Jeifets, a dimensão econômica do Brics também tende a preservar a participação brasileira no bloco, mesmo que uma eventual mudança na política externa reduza o peso político de Brasília em debates sobre multipolaridade e o Sul Global.

A influência dos Estados Unidos é outro fator observado por Moscou. Jeifets afirma que uma eventual vitória de Bolsonaro poderia aumentar a pressão americana sobre o Brasil, em um cenário diferente do de disputas presidenciais anteriores. “Agora temos Trump e uma nova estratégia de segurança nacional [da Casa Branca]”, disse.

A cautela russa também refletiria uma tradição de não interferência direta em eleições latino-americanas. Segundo Jeifets, Moscou procura manter canais de diálogo com diferentes governos brasileiros e preservar espaço para negociações independentemente do resultado. “A Rússia sempre tentou evitar interferir nas eleições latino-americanas”, afirmou o professor.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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