A revista britânica The Economist afirmou que a escolha entre Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL), os dois candidatos à frente nas pesquisas eleitorais brasileiras, é desoladora. Em editorial publicado nesta quinta-feira (24), a publicação declarou preferência por Renan Santos (Missão), apresentado como o candidato cujas ideias mais se aproximam do momento atual do país.
Lula tenta conquistar um quarto mandato aos 81 anos, enquanto Flávio Bolsonaro é descrito como um “nepo baby”. A proposta mais relevante atribuída a ele seria conceder anistia ao pai, preso em 2025.
A avaliação central da revista é que nenhum dos dois candidatos seria confiável para enfrentar os principais problemas brasileiros: a corrupção arraigada e o crescimento contínuo dos gastos públicos. O editorial também afirma que a ausência de um plano consistente para reduzir a dívida pública em relação ao PIB pode manter elevados os custos de financiamento, dificultando o acesso da economia ao capital necessário para elevar a produtividade e o crescimento.
Dívida pública e crise institucional
Entre os problemas citados estão o avanço da dívida pública, a desaceleração do crescimento econômico e o engessamento das contas públicas. A expansão das despesas do governo, segundo a publicação, alimenta a inflação e obriga o Banco Central a manter juros altos.
A revista afirma que a redução da dívida e dos juros exigiria cortes profundos nos gastos públicos. O editorial ressalta que 92% dessas despesas são definidos por lei ou pela Constituição brasileira.
A The Economist também menciona a crise envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que está preso. De acordo com o editorial, investigações policiais mostraram que cinco dos 11 ministros da Corte tinham ligações com Vorcaro, apontado como mentor do esquema.
Para a revista, esse episódio enfraquece as instituições responsáveis pelos mecanismos de controle e equilíbrio do país e alimenta o cinismo público. O editorial relaciona esse ambiente ao apoio dado por parte dos brasileiros ao filho de Bolsonaro, após a condenação do pai por planejar um golpe.
Preferência por Renan Santos
Renan Santos é definido como um libertário de atuação combativa. A revista afirma que ele defende reformas estruturais profundas e cortes de gastos com o objetivo de transformar o Brasil em uma grande potência.
Apesar disso, o editorial avalia que Santos e outros candidatos de fora do sistema político tradicional não conseguiram avançar contra as máquinas políticas de Lula e Bolsonaro. A conclusão é que o país caminha para uma crise previsível, enquanto parte da elite política permanece confortável com a situação atual.


