A maioria dos brasileiros apoia a proibição das apostas online, conhecidas como bets, indica pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta-feira (23). Ao todo, 75% dos entrevistados concordam com a medida: 71% afirmam concordar totalmente e 4% concordam parcialmente.
O resultado coincide com a posição apresentada nas últimas semanas pelo presidente e candidato à reeleição, Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele deve decidir entre duas propostas para uma Medida Provisória (MP) que vai regular as casas de apostas online. A medida pode impor restrições maiores e até impedir alguns tipos de aposta, entre eles os cassinos online, chamados no texto de jogo do tigrinho.
A pesquisa também mostra que 79% dos brasileiros defendem limites para a propaganda de apostas. Além disso, 88% discordam da ideia de que as bets possam ser usadas como forma de complementar a renda.
Perfil do apoio e situação financeira
A concordância com a proibição é maior entre mulheres, com 79%, pessoas que se consideram de esquerda, com 85%, entrevistados com ensino superior, com 77%, e moradores do Centro-Oeste, também com 77%. Entre católicos e evangélicos, os índices não apresentam diferença significativa: 70% e 68%, respectivamente.
A regulação das casas de apostas online foi adotada pelo PT como uma das bandeiras da campanha eleitoral. Lula tem criticado as bets, enquanto a campanha petista recebeu manifestações de diversos clubes brasileiros.
O levantamento também avaliou as condições financeiras das famílias. A parcela dos brasileiros que pagou as dívidas e ainda conseguiu guardar dinheiro passou de 31,5%, em abril, para 36%, em setembro. No mesmo período, caiu de 40,2% para 34% o percentual dos que disseram não ter dinheiro suficiente para quitar todas as contas. Outros 30% afirmaram ter honrado os compromissos, mas sem sobra.
O aumento dos preços dos alimentos foi apontado por 44,2% como o principal impacto negativo sobre o orçamento familiar. Para 32,1%, o maior problema foi a alta das contas básicas, como água, luz e gás. Dívidas acumuladas e juros foram citados por 25%, ante 33,5% no levantamento de abril.
A pesquisa ouviu 5.015 pessoas, recrutadas por meio do Atlas RDR. A margem de erro é de 1 ponto percentual para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.



