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A atualidade do pensamento de Carlos Nelson Coutinho para a esquerda

Treze anos após sua morte, a obra de Carlos Nelson Coutinho permanece central para pensar democracia, socialismo e a formação brasileira.

A atualidade do pensamento de Carlos Nelson Coutinho para a esquerda

Carlos Nelson Coutinho permanece como uma referência para a reflexão teórica e política da esquerda brasileira. Baiano, integrante de uma família abastada e letrada, ele combinou atuação partidária, militância estudantil, docência e produção intelectual. Foi professor da Escola de Serviço Social da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), publicou 13 livros e mais de 50 ensaios e participou de uma geração do Partido Comunista Brasileiro (PCB) formada após a renovação iniciada em 1958.

Sua trajetória esteve ligada à presença da esquerda no mundo da cultura durante a década de 1960 e também sob a ditadura civil-militar. A obra foi organizada por José Paulo Netto em três frentes: a interpretação de pensadores como Hegel, Rousseau, Lukács, Goldmann, Gramsci, Togliatti e Ingrao; a crítica literária e filosófica; e a elaboração de uma interpretação sobre o Brasil contemporâneo.

Entre seus trabalhos de crítica estão os ensaios sobre Lima Barreto, Graciliano Ramos, Proust e Kafka, além da crítica ao estruturalismo em Estruturalismo e a Miséria da Razão. A leitura de Antonio Gramsci, porém, ocupou posição decisiva em sua formulação sobre a sociedade brasileira. Coutinho buscou adaptar ao país categorias como Estado ampliado, revolução passiva, hegemonia, crise orgânica, supremacia e catarse, em diálogo com autores do pensamento social brasileiro.

Brasil, democracia e socialismo

A interpretação de Coutinho sobre o desenvolvimento capitalista brasileiro destacava uma trajetória conduzida de cima para baixo, com a violência estatal como mediação e com revoluções passivas que incorporaram parte das demandas sociais sob direção conservadora das classes dominantes.

Outra hipótese relacionava o neoliberalismo à formação de uma nova hegemonia da burguesia brasileira, apoiada na ampliação de organizações, entidades e ONGs na sociedade civil. Na política, essa dinâmica seria expressa pela hegemonia da pequena política, em que discussões sobre projetos societários e desenvolvimento econômico cedem lugar à gestão eficiente e à redução das mazelas sociais.

Em 1979, o ensaio A democracia como valor universal sintetizou posições dos chamados renovadores na disputa interna do PCB, grupo liderado por Armênio Guedes. Influenciado pela via italiana ao socialismo e crítico do modelo soviético, Coutinho defendeu a relação entre democracia e socialismo no pensamento marxista, a democracia como valor universal e a superação do modelo soviético e da estratégia nacional-democrática do PCB.

O texto recebeu interpretações distintas entre marxistas e liberais. Nas décadas seguintes, já como militante do PT e depois do Psol, Coutinho desenvolveu a noção de reformismo revolucionário. Sua proposta articulava a democratização da política à transformação social, por meio da guerra de posições e da combinação das formas de luta.

Em diálogo com André Gorz, o filósofo defendia reformas capazes de ampliar a organização e a capacidade de luta das classes subalternas. Mesmo quando incorporadas pelo Estado e pela sociabilidade burguesa, determinadas conquistas poderiam modificar a correlação de forças, ampliar a participação popular e abrir caminho para uma transformação anticapitalista.

Nessa formulação, a socialização da política deixava de ser apenas um princípio normativo e passava a ser uma condição para a socialização do poder e da riqueza produzida socialmente. A ampliação da democracia aparecia como mediação para transformar as relações sociais de produção e criar novas formas de organização da vida social.

A reflexão também é apresentada com uma lacuna: a articulação insuficiente entre democratização do poder, questão nacional e dimensão anti-imperialista. Para o autor, essa conexão seria necessária à defesa das soberanias populares em países periféricos e dependentes, como o Brasil.

Treze anos após a morte de Coutinho, seus problemas teóricos e políticos continuam relacionados aos desafios colocados à esquerda brasileira diante do avanço da extrema direita, da ofensiva imperialista e das restrições democráticas. Recuperar sua obra, nessa perspectiva, não significa apenas repeti-la, mas dialogar criticamente com ela para formular alternativas e ampliar a capacidade de compreender o presente.

Texto produzido pela Redação Diário de Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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