A China reúne infraestrutura, capacidade industrial e tecnologia em escala que a colocam no centro das relações econômicas globais. A proposta defendida é que o Brasil amplie a parceria com o país, deixando de atuar principalmente como fornecedor de commodities e comprador de produtos industrializados.
O país asiático possui a maior rede de trens de alta velocidade do mundo, a maior usina hidrelétrica do mundo e o maior porto totalmente automatizado de contêineres, localizado a 32 km mar adentro. Em um território marcado por montanhas, também concentra as 10 maiores e mais elevadas pontes do mundo, além de túneis em espirais e estradas elevadas voltadas à circulação e à integração interna.
Da abertura econômica à liderança industrial
A partir da década de 1970, especialmente durante o governo de Deng Xiaoping, a China combinou um governo centralizado, descrito como um “comunismo maoista”, com uma economia de mercado. A produção agrícola e industrial cresceu, enquanto a pobreza e a fome passaram a diminuir em ritmo mais acelerado.
A industrialização foi inicialmente baseada em grande escala de produção, mecanização e mão de obra de baixa remuneração. Com o tempo, a força de trabalho tornou-se mais qualificada e mais bem remunerada. A partir dos anos 1990, empresas estrangeiras, inclusive dos EUA e do Brasil, instalaram-se no país. Em 2020, foi declarado o fim da pobreza extrema, embora parte significativa da população ainda tivesse ganhos pequenos e recebesse auxílio de programas governamentais.
Atualmente, a China é apresentada como líder da manufatura global, responsável por um terço da produção, e como líder da Quarta Revolução Industrial. O país se destaca na fabricação de baterias de lítio, veículos elétricos, painéis solares, robótica, redes 5G e inteligência artificial.
Comércio e minerais estratégicos
A China compra do Brasil principalmente soja, carnes, minério de ferro e petróleo cru. Em sentido contrário, fornece veículos elétricos, acessórios automotivos, painéis solares, chips, semicondutores, equipamentos de telecomunicações, adubos, fertilizantes e medicamentos. A relação comercial tem superávit favorável ao Brasil.
O planejamento chinês também é apontado como decisivo para o domínio das terras raras e de metais estratégicos. Desde a década de 60, o país desenvolve esse setor por meio de empresas estatais, além de adquirir tecnologia e patentes para a industrialização. Hoje, detém 70% das reservas conhecidas de terras raras e beneficia e converte mais de 90% desse material em produtos.
O Brasil é descrito como a segunda maior reserva de terras raras, com aproximadamente 30%. A legislação aprovada pelo Governo Lula prevê que esses recursos sejam minerados e beneficiados no país.
Uma agenda de cooperação
A proposta é estabelecer parcerias para beneficiar e industrializar terras raras e metais estratégicos no Brasil, aplicando esses recursos à produção de veículos elétricos, equipamentos eletrônicos e outras áreas de tecnologia avançada. Também são defendidas cooperações em pesquisa e bolsas universitárias na China.
A relação bilateral já inclui investimentos chineses em infraestrutura e indústrias. O argumento é que esse vínculo pode avançar para uma cooperação tecnológica e produtiva, com o Brasil ampliando sua participação nas cadeias industriais associadas aos minerais estratégicos e à inovação.



