O debate entre os candidatos ao Senado por São Paulo expôs divergências no campo da direita e aproximou as candidatas identificadas com o campo progressista. O encontro ocorreu nesta segunda-feira (21) e reuniu Marina Silva (Rede), Simone Tebet (PSB), André do Prado (PL), Guilherme Derrite (PP) e Ricardo Salles (Novo).
A disputa pelo eleitorado conservador apareceu já no primeiro bloco, quando Prado acusou Salles de ter “medinho” do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). A crítica foi relacionada às investigações que envolvem o deputado por um suposto esquema de exportação e contrabando de madeira ilegal da Amazônia.
Prado afirmou que essa apreensão explicaria a ausência de assinatura de Salles em um pedido de investigação contra Moraes apresentado em uma comissão mista do Congresso Nacional. O confronto entre os dois prosseguiu durante o debate e evidenciou as divisões entre os candidatos de direita.
Salles, por sua vez, direcionou as críticas ao grupo político de Prado. Ele acusou a “turma do Centrão” de usar a estrutura pública em benefício próprio e associou esse comportamento à infiltração do crime organizado em prefeituras e outros espaços. Também procurou explorar a trajetória política de Prado, que, antes da eleição, mantinha posições de centro e diálogo com o campo progressista, mas passou a adotar um discurso de extrema direita voltado ao eleitor bolsonarista.
Críticas às candidatas
Guilherme Derrite fez ataques às candidatas, que responderam em bloco. Marina Silva e Simone Tebet complementaram suas falas e criticaram posturas machistas atribuídas aos adversários.
Tebet defendeu mudanças na composição do STF, com paridade e diversidade nas futuras nomeações. A candidata propôs que, até haver pelo menos cinco mulheres e seis homens na corte, os próximos presidentes indiquem alternadamente uma mulher e um homem, além da adoção de uma cota racial.
Marina contestou a cobrança dirigida às mulheres na política e classificou esse comportamento como uma forma sistemática de desqualificação. “Isso se chama teste de competência de gênero”, afirmou a candidata, ao dizer que mulheres não precisam dominar todas as leis para atuar na política, assim como os homens não conhecem todos os assuntos.


