A redução rápida do uso de combustíveis fósseis poderia cortar em 1,3 anos o período de exposição a incêndios florestais ao longo da vida de crianças europeias nascidas em 2025. Nas áreas mais afetadas do sul da Europa, a diminuição chegaria a pelo menos 2 anos, conforme uma pesquisa da Universidade Livre de Bruxelas, na Bélgica, divulgada nesta segunda-feira (21).
A análise projeta que os bebês nascidos na Europa em 2025 enfrentarão quase o dobro de queimadas extremas vivenciadas por pessoas nascidas em 1950. A estimativa considera o tempo sob condições climáticas favoráveis a incêndios e aponta que uma criança da geração mais nova passará mais de três anos adicionais nessas circunstâncias.
Mediterrâneo concentra o maior risco
O cenário mais grave é previsto para a região do Mediterrâneo, já atingida por incêndios florestais. Caso o aquecimento global chegue a 2,6 °C até 2100, em uma trajetória compatível com as políticas climáticas atuais, os nascidos no local em 2025 poderão permanecer até 2,5 vezes mais tempo sob condições extremas favoráveis a incêndios do que aqueles nascidos em 1950. Isso representaria cerca de cinco anos adicionais ao longo da vida.
Portugal também aparece entre os países com aumento expressivo. A quantidade de dias anuais com condições extremas propícias a incêndios deve subir de 14, entre 1950 e 1970, para 32 até 2100. Crianças nascidas no país em 2025 deverão passar cerca de 6,5 anos da vida em condições meteorológicas associadas a queimadas extremas. Cada grau adicional de aquecimento global até o fim do século acrescentaria 272 dias a esse período.
A pesquisa calcula que 86% do crescimento na exposição europeia decorre das mudanças climáticas, e não do aumento da expectativa de vida. Rosa Pietroiusti, pesquisadora de doutorado e líder do estudo, afirmou que os jovens contribuíram menos para a crise climática, embora permaneçam mais tempo sujeitos aos efeitos dela.
No ano passado, os incêndios atingiram mais de 1 milhão de hectares na Europa, a maior área já registrada no continente, com Espanha e Portugal entre os países mais afetados. Em 2026, França, Espanha e Bélgica também sofreram impactos de incêndios, impulsionados em grande parte por ondas de calor repetidas desde o início do verão.
Para Wim Thiery, professor da Universidade Livre de Bruxelas e autor sênior da pesquisa, reduções ambiciosas nas emissões de gases de efeito estufa podem diminuir de forma significativa o risco de incêndios florestais. Ele também afirmou que cortes rápidos no uso de combustíveis fósseis são viáveis diante da queda nos custos da energia solar e eólica.


