A Organização Meteorológica Mundial (OMM) alertou nesta segunda-feira (7) que incêndios florestais e ondas de calor ameaçam os esforços para melhorar a qualidade do ar e proteger a saúde. Os fenômenos favorecem a presença de contaminantes microscópicos na atmosfera e estão relacionados às mudanças climáticas, que, segundo os cientistas, tornam os incêndios mais frequentes e intensos.
A entidade afirmou que a fumaça de incêndios extremos traz consequências graves para a saúde por causa de sua alta toxicidade. O relatório anual sobre qualidade do ar e clima também aponta que, embora normas na Europa e na América do Norte tenham reduzido emissões de PM2.5 da indústria e dos transportes, aumentou a exposição a esse poluente associado aos incêndios.
As partículas de PM2.5 são formadas por partículas e gotículas com menos de 2,5 micrômetros de diâmetro. Elas podem alcançar regiões profundas dos pulmões e entrar na corrente sanguínea. Além dos incêndios florestais, são emitidas por atividades industriais baseadas em combustíveis fósseis, agricultura, calefação doméstica, transportes e tempestades de poeira.
Lorenzo Labrador, da rede de cientistas de Vigilância da Atmosfera Global da OMM, afirmou que qualidade do ar e mudança climática não podem ser analisadas separadamente. Segundo ele, áreas atingidas por incêndios relativamente intensos registram muita contaminação por partículas finas. A OMM acrescentou que as micropartículas produzidas pela combustão da vegetação são mais tóxicas que as emitidas por outras fontes, incluindo os gases de escapamento de automóveis.
Ozônio e aerossóis
O ozônio troposférico é outra fonte de risco. Ele se acumula quando as temperaturas sobem, a atmosfera fica estagnada e a radiação solar é intensa, condições observadas durante ondas de calor na China, na Europa e no sudeste dos Estados Unidos. A OMM advertiu que uma exposição maior ao ozônio pode causar dezenas de milhares de mortes prematuras adicionais, especialmente por doenças respiratórias.
O relatório também trata dos aerossóis, que podem ser transportados para oceanos e continentes distantes. Essas partículas alteram a reflexão da luz solar, modificam propriedades químicas da terra e da água e contaminam ambientes limpos. A deposição de carbono negro sobre neve e gelo reduz a luz refletida e pode acelerar o degelo.
Uma simulação do Boletim da OMM calcula a existência de 51 milhões de toneladas em terra e 22 milhões de toneladas no oceano, que também é fonte de microplásticos para a atmosfera.



