A possibilidade de 2027 se tornar o ano mais quente já registrado ganhou força entre climatologistas diante da previsão de que o atual El Niño alcance intensidade histórica. A avaliação considera que o calor acumulado no oceano será liberado para a atmosfera durante o ano seguinte ao fenômeno, elevando as temperaturas globais.
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) informou nesta quinta-feira (10) que o episódio deve continuar ganhando intensidade até atingir seu pico no final deste ano. Para a temporada de outubro – dezembro de 2026, a agência calcula em 75% a chance de o evento superar a força dos episódios de El Niño observados desde 1950. A estimativa divulgada há um mês era de 69%.
Efeitos climáticos associados
O El Niño é uma variação natural do clima que costuma ocorrer a cada dois e sete anos. O processo começa com o aquecimento das águas superficiais no centro e no leste do Pacífico equatorial, seguido por mudanças nos padrões globais de vento, pressão atmosférica e precipitação.
O fenômeno está associado a secas, inundações e temperaturas extremas. No ano passado, contribuiu para ampliar riscos de secas e incêndios em partes da Amazônia, da América Central, da Indonésia e da Austrália. Também alterou o regime de monções na Índia e provocou chuvas torrenciais no leste da África.
A Organização Meteorológica Mundial havia alertado, no início de setembro, para a possibilidade de o episódio ser mais intenso que os registrados desde o começo do monitoramento. A secretária-geral da entidade, Celeste Saulo, afirmou que o evento “poderia ser mais potente que todo o observado desde que começamos nosso monitoramento”.
O El Niño ocorre ao mesmo tempo em que os impactos das mudanças climáticas causadas por atividades humanas ampliam, em particular, a intensidade de eventos climáticos extremos.


